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Opinião
Editorial Entre ciência e achismos

Publicado em: 06/04/2020 03:00 Atualizado em: 06/04/2020 07:21

Contam que, quando o fogão a gás chegou para substituir o fogão a lenha, o líder da comunidade reagiu. Negou-se a aceitar o progresso. O avanço da ciência representava risco ao poder provinciano. Para provar que estava com a razão, reuniu o povo em praça pública, acendeu o fogo e, quando a chama aparecia, ele a soprava até apagar. No fim do dia, a labareda não respondeu ao riscar do fósforo. Feliz, ele cantou vitória. Esqueceu-se de apurar o ocorrido. O gás havia acabado.

Fato semelhante ocorre nestes sombrios dias de 2020. Vírus desconhecido atacou a segunda potência do planeta. A velocidade com que se disseminava desafiava mesmo os cientistas mais experientes. Como contê-lo? Sucessivos experimentos levaram à resposta. Impunha-se frear a corrida do ser resistente aos medicamentos conhecidos. O distanciamento social evitou que Wuhan se transformasse em cidade cemitério.

Quando chegou a outros países, governos responderam de maneira diferente. Alguns, como a Coreia do Sul, mostraram ter aprendido a lição chinesa. Pouparam vidas e limitaram o período de exceção. Outros, como Itália, Espanha e Estados Unidos, desdenharam a gravidade da pandemia. Perderam tempo e vidas. Tornaram-se epicentro da tragédia cujo saldo é imprevisível.

O Brasil ouviu a voz da ciência. Optou pelo caminho ditado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – permanência em casa, distanciamento social, higienização frequente das mãos. Governadores e prefeitos abraçaram a orientação. São ações necessárias para reduzir a proliferação do novo coronavírus, poupar os profissionais de saúde e evitar o colapso do sistema de saúde.

As providências, que implicam fechamento do comércio não essencial e limitação do ir e vir, cobram preço alto da sociedade. As medidas de socorro tomadas pelo governo e aprovadas pelo Congresso mitigam a dor de tantos brasileiros. É importante que sejam implementadas com urgência e o país se mantenha na linha traçada pelo Ministério da Saúde.

Seguindo-a, reduz a disseminação do vírus e ganha tempo para administrar a escassez de recursos humanos, máscaras, uniformes, respiradores e covas. Não se trata do falso dilema vida ou economia. Trata-se de vida e economia. Como o gás se impôs à lenha, a ciência se impõe ao achismo.

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