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Opinião
Editorial Sob a sombra do coronavírus

Publicado em: 09/03/2020 03:00 Atualizado em: 09/03/2020 11:08

A epidemia do coronavírus já matou mais de 3 mil pessoas na China e o medo se espalha pelo mundo. Na Europa, a Itália é o país com o maior número de casos e medidas drásticas foram tomadas pelas autoridades para conter o avanço do vírus, como proibir púbico em qualquer competição esportiva até o início de abril, pelo menos. Por lá, 366 pessoas já morreram por causa da doença.

E é na esfera esportiva que uma queda de braço se arrasta desde o início do surto, em dezembro de 2019. A possibilidade de cancelamento ou mesmo adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, marcados para 24 de julho, assombra o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os organizadores japoneses, além de deixar os atletas apreensivos.

Na terça-feira, a ministra da Olimpíada, Seiko Hashimoto, admitiu a possibilidade de adiamento da competição perante o parlamento japonês. No mesmo dia, em Lausanne, na Suíça, o COI se reunia e seu presidente, Thomas Bach, se apressou em afirmar que a entidade segue com o planejamento e mandou um recado aos atletas para que mantenham sua preparação. Um dia depois, declarou que não se cogita adiar ou cancelar a Olimpíada’2020.

Bach está no seu papel, o de manter acesa a chama olímpica e acalmar os investidores. Mas terá que torcer muito para que as autoridades consigam conter a epidemia do coronavírus o quanto antes para que a maior competição esportiva do mundo ocorra.

Tóquio tem uma população de 9,2 milhões de habitantes e a região metropolitana da capital japonesa chega a 37 milhões. Em 17 dias de disputas, são esperados cerca de 16.000 atletas olímpicos e paralímpicos de mais de 200 países, além de centenas de equipes de jornalismo de todo o mundo.

Nos jogos do Rio, em 2016, 410 mil turistas vieram ao Brasil para acompanhar as competições. Esses números mostram que é uma irresponsabilidade realizar um evento desse porte se não houver total segurança de que não haverá risco para a saúde pública do planeta. E cabe à Organização Mundial da Saúde, que está trabalhando junto ao COI, dar a palavra final.

Até agora, dezenas de competições esportivas, incluindo muitos torneios Pré-Olímpicos, já foram adiados ou cancelados em vários países. No Japão, onde seis pessoas já morreram por causa do coronavírus e quase 300 estão contaminadas, uma série de medidas vem sendo tomadas em todas as áreas.

A famosa maratona de Tóquio, por exemplo, foi realizada apenas com atletas de elite para evitar grande aglomeração de pessoas; os parques Tokyo Disney e Universal Studios Japan estão fechados; os maiores festivais de hanami — contemplação das flores de cerejeira, uma tradição secular no Japão — do país foram cancelados, assim como o Tokyo Fashion Week e Anime Japan.

Portanto, apesar da confiança do COI no sucesso e na manutenção da programação da Olimpíada de Tóquio, onde foram investidos cerca de US$ 12,6 bilhões — fora o dinheiro aplicado em direitos de transmissão e cotas de patrocínio —, tudo dependerá da contenção da epidemia em tempo hábil em todo o mundo. Na China, onde tudo começou, o número de casos tem diminuído, mas o vírus agora está em todos os continentes.

Até hoje, nunca uma Olimpíada foi cancelada ou adiada por causa de risco à saúde pública. A zika chegou a assustar em 2016, no Rio, mas não passou disso. Agora, só o tempo dirá se as guerras continuarão sendo o único motivo que impediu a realização da maior festa de congraçamento entre os povos da Terra.

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