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Opinião
Editorial Mãos dadas contra o inimigo comum

Publicado em: 05/03/2020 03:00 Atualizado em: 05/03/2020 08:57

“O talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos.” A lição de Michael Jordan reafirma a importância da cooperação internacional na guerra contra a epidemia que se espalha mundo afora. Em poucas ocasiões da história moderna, a união de esforços se impôs com tanta urgência.

Democrático, o novo coronavírus prova que não tem ideologia nem preconceito. Ataca nos cinco continentes. Os estragos por ele causados se disseminam pelas economias globais e ameaçam uma quebradeira geral. Pobres e ricos estão com a espada de Dâmocles sobre a cabeça.

Ciente da gravidade da situação — talvez munido de informações fora do alcance das demais instituições — o Fed, Banco Central dos Estados Unidos, surpreendeu os mercados. Na segunda-feira, em reunião extraordinária, reduziu a taxa básica dos juros do país em 0,5 ponto percentual.

A iniciativa, num primeiro momento, causou euforia. As bolsas subiram e o dólar caiu. Mas, passadas algumas horas, o medo voltou e os avanços retrocederam. A razão: a medida levantou a suspeita de que o impacto econômico poderia ser mais forte do que o imaginado.

No clima de imprevisibilidade em que o planeta está mergulhado, são bem-vindas ações globais aptas a conter o pessimismo e reduzir perdas. O Grupo dos 7 (G-7), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão prometeram enfrentar as ameaças sem medir esforços.

A mobilização global pressupõe ações nacionais. A equipe referida por Michael Jordan exige que cada um faça a sua parte para limitar os estragos da epidemia internamente e, com isso, associar-se ao esforço mundial de manter a economia internacional em marcha.

Player importante, é provável que o Brasil tenha de promover mais cortes na Selic e, com certeza, acelerar as reformas. O PIB de 2019, de 1,1%, acende a luz vermelha: não há tempo a perder. As autoridades, em vez de egos e vaidades, precisam mirar os quase 12 milhões de desempregados, as filas do INSS e os milhões à espera da bolsa-família.

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