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Opinião
Editorial Governo e Congresso precisam se unir

Publicado em: 03/03/2020 03:00 Atualizado em: 03/03/2020 08:36

A Idade Média ficou para trás. Reservou às atrações turísticas e aos cartões-postais as cidades muradas, reduto dos senhores feudais cuja lembrança se encontra embaçada pela poeira do tempo. O calendário se encarregou de democratizar os espaços. Com a globalização, as fronteiras ganharam novo conceito e novas dimensões. Tornaram-se mais permeáveis e extremamente sensíveis.

No mundo em que a comunicação é instantânea, um movimento fora do script tem o potencial de causar estragos de efeitos imprevisíveis. Vale o exemplo do novo coronavírus. A simples ameaça de provocar uma pandemia afetou as bolsas, cancelou eventos, impôs medidas drásticas, como a proibição da peregrinação a Meca ou o fechamento de escolas japonesas.

Tem-se como certa a queda do PIB mundial. Analistas já veem crescimento abaixo de 3% — o pior desde a Grande Recessão, provocada pela crise financeira de 2008. O Brasil não foge à regra. Se em março a China continuar parada, o país será um dos maiores prejudicados por causa da estreita relação comercial com o país asiático. Os estragos se farão sentir ainda no primeiro trimestre.

Daí a importância de, em momentos críticos como este, agir com cautela, profissionalismo e pé no chão. Em 2019, o país aprovou a reforma da Previdência, passo importante para sintonizar-se com a realidade de um país que envelheceu sem atualizar o sistema de aposentadorias.

Foi avanço necessário, mas não suficiente. Outras reformas, sobretudo a tributária e a administrativa, pedem urgência, bom senso e espírito de negociação. Planalto e Congresso precisam se dar as mãos para derrubar muros extemporâneos que, longe de contribuir para o tão necessário crescimento nacional, empurram a nação para o atraso, o desemprego, o desespero.

O Brasil tem de aproveitar o cenário interno favorável para pisar o acelerador. A inflação baixa, os menores juros da história do real, a volta do crédito, a queda do desemprego são indicadores essenciais para alavancar a reconquista da confiança internacional e, com isso, atrair investimentos. Desperdiçá-los é fazer gol contra.

Vale lembrar que políticos têm mandato e prazo de validade. O eleitor lhes deu crédito de confiança nas urnas para que façam o que tem de ser feito — promover o bem comum. Esse é o foco. Desviar o olhar em circunstância dramática como a que vive o mundo é mais que flertar com o azar.

Uma das 10 maiores economias do mundo não tem direito de apostar no ensaio e erro. Atingir o patamar em que se encontra num mundo tão competitivo exigiu a marcação de muitos tentos.

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