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Opinião
Covid-19

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 04/03/2020 03:00 Atualizado em: 04/03/2020 09:01

Minha mãe falava da gripe espanhola, que, por ocasião da guerra de 14 se propagou pelo mundo, ela própria tendo sido uma das vítimas em Garanhuns. Quem estudou um pouco de história conhece as epidemias que davastaram parte do mundo conhecido, propagadas por viagens comerciais ou por peregrinos que pagavam promessas ou enfrentavam as Cruzadas. No Recife do século 19, o cólera – mórbus matou grande parte da população, modificando hábitos como aquele de enterros nas igrejas, com o aumento da visão de escravos transportando corpos, nas caladas da noite, vultos sinistros cobertos de cal, uma prevenção aconselhada por sanitaristas da época.

Descobertas, criação de vacinas, antibióticos, pareciam ter afastado essas manifestações de vírus, micróbios, da vida dos países. Mas, agora, essa nova doença a que chamam coronavírus, da qual se conhecem os sintomas mas não as origens e efeitos, parece ser um novo e terrível desafio para o frágil equilíbrio mundial. Foram criados  novos centros de pesquisas em diversos países para produção de vacinas. Como o mundo há muito se tornou uma aldeia, e que a comunicação entre as nações se faz de modo incontrolado, inúmeras e imprevisíveis consequências acontecem em todos os setores da vida em comunidade. 

Sofre a economia, sofrem as relações humanas, os hábitos. Viagens são canceladas, e o que isso acarreta: perda para importações e exportações, para o turismo perdas financeiras para hotéis, eventos.  A OMS pede que se evite o pânico. Uma chamada pandemia não seria tão grave assim, mas uma certa desconfiança paira no ar: não estariam escondendo dados sobre o verdadeiro perigo que corremos? Mas o fato é que há mecanismos de prevenção para se conter o avanço da doença.

Na França, domingo passado, o museu do Louvre foi fechado ao público. O Salão Internacional do Livro de Paris foi cancelado. Nas igrejas, nas missas, aconselha-se evitar apertos de mão, abraços da paz, inclusive sob orientação do papa Francisco, um santo homem. Várias escolas suspenderam as aulas para alegria das crianças e desespero das mães que trabalham. Fala-se de 3 mil casos suspeitos na China, mas como ter certeza de que esses dados são confiáveis?

No Brasil, anunciam-se mais de 400 casos suspeitos e dois confirmados. Na Paraíba, a arquidiocese lançou uma campanha: “Juntos como irmãos combatendo a coronavírus”. O comércio se modifica, faltam máscaras, álcool, as compras digitais disparam. Como disparam o dólar, o euro ( ai de mim que planejava viagem no verão!). Não há razão de pânico é o que dizem. Deus os ouça. Mas no fundo fica uma indagação: a destruição sistemática do planeta de que todos testemunhamos ou participamos não teria a ver com essa tal de Covid-19? Como o são as enchentes, as chuvas devastadoras, as tempestades, o degelo nos polos, o aumento da temperatura a nível mundial. Uma certa revanche da natureza?

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