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Opinião
A ministra e nós

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 10/03/2020 03:00 Atualizado em: 10/03/2020 08:57

Na semana passada, quando em várias partes do mundo a mídia nos mostrou desfiles, manifestações, depoimentos de mulheres protestando contra a violência feita ao sexo feminino e sob formas variadas, a jornalista Miriam Leitão, em seu programa das segundas-feiras na Rede Globo, entrevistou a ministra Carmen Lucia. Aliás, ultimamente Miriam Leitão, que no ano passado lotou o auditório do RioMar, contando-nos suas experiências de vida e de profissão, tem realizado excelentes entrevistas com brasileiras, historiadoras, artistas, sociólogas, que se tem dedicado a pensar o Brasil, sua história passada e os desafios atuais. Entre elas, Heloisa Buarque de Holanda, Lilia Schwartz, Nélida Piñon. 

Na conversa com Miriam, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, lembrou outro tipo de violência, contra a mulher, além daquela que a mídia notifica, para nossa vergonha: a que a se dá através da exclusão de participação. A mulher é sub-representada em qualquer instância da estrutura de poder, inclusive no Judiciário. Carmem Lúcia assinalou a luta para se tentar colocar mais mulheres nos órgãos colegiados: no STF  há apenas duas mulheres. Para a ministra, somos uma sociedade machista. E comenta: “Não gostar de mulher, é direito. Ofender a mulher é crime.” A violência contra a mulher, define o país: “ Uma sociedade que bate em mulher, mata a mulher, não é uma sociedade do bem-estar”. O desrespeito à mulher corrói a democracia. E lembrando a agressão feita recentemente a uma jornalista, - “é como se todas as mulheres em todas as profissões ficassem mais vulneráveis”, - ela afirmou a necessidade de respeito pela profissão, pela palavra do outro, por todos os seres humanos enfim. E que a agressão à imprensa, a censura, é contra a Constituição: “Constituição é lei. Não é aviso, não é proposta, não é sugestão. Não é alternativa para se cumprir ou não”

Comentando o relevo que as mídias  mundiais tem dado à importância do movimento feminista em tantos países, um conhecido meu falou: “Não aguento mais. Não entendo essas mulheres. Que história é essa de Não é Não e que vem a ser esse movimento chamado ME TOO? A gente deixa elas  fazerem o que querem”. Ao que uma amiga replicou: “Gostei desse verbo, DEIXAR “.  Ele não entendeu.

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