Diario de Pernambuco
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Opinião
Quaresma e Campanha da Fraternidade

Dom Antônio Fernando Saburido
Arcebispo de Olinda e Recife

Publicado em: 22/02/2020 03:00 Atualizado em: 23/02/2020 09:31

Há mais de 50 anos a nossa Igreja no Brasil liga a Quaresma à solidariedade fraterna a partir da Campanha da Fraternidade. Celebrar a Páscoa sem procurar viver a expressão social do amor seria ficar nos gestos, sem se preocupar com a coerência entre os gestos e a realidade. Cada ano, a Campanha da Fraternidade nos ajuda a testemunhar que a salvação trazida pela morte e ressurreição de Jesus tem dimensão universal e deve atingir toda a humanidade e o cosmos.

O tema adotado pela CF neste ano é Fraternidade e Vida: dom e compromisso e o lema é a palavra de Jesus ao contar a parábola do samaritano: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele" (Lc 10, 33- 34). Precisamos superar o que o papa Francisco tem chamado de "globalização da indiferença". E só podemos fazer isso se seguirmos o que Jesus disse, depois de contar como o samaritano cuidou do homem ferido à margem da estrada: Vai e faze o mesmo.

O texto-base da CF contém três partes: 1- o olhar sobre a realidade, 2 - o discernir o que Deus nos diz sobre isso que vemos, 3 - o que Ele nos pede como resposta ao desafio apresentado. Na primeira parte, o texto fala do tipo de olhar que descuida da vida das pessoas e é responsável pela situação que vemos nas nossas cidades. Além da violência que assola as relações humanas, diariamente, nas periferias, somos confrontados com o assassinato brutal de jovens, em sua imensa maioria pobres e negros. O mundo inteiro está preocupado com a ameaça que, no Brasil, pesa sobre os povos indígenas e sobre a natureza e os bens da terra.

Na segunda parte, somos convidados a assumir em nós a compaixão de Jesus. Devemos romper com a indiferença. Em recente curso para agentes de pastoral de base em São Paulo, os participantes tiveram um encontro com um grupo moradores de rua. Várias dessas pessoas afirmaram que tinha sido a primeira vez que tinham se sentido olhadas como pessoas. Algumas confessaram que nunca tinham sido abraçadas por ninguém. Para elas, essa atenção e carinho foram essenciais. Tal experiência também tem frequentemente ocorrido aqui no Recife, com os nossos agentes de pastorais que trabalham com o povo da rua.

Na terceira parte, são propostas iniciativas geradoras de experiências inclusivas. Em nossa arquidiocese, 2020 é marcado pela preparação e organização do XVIII Congresso Eucarístico Nacional, cujo tema é Pão em todas as mesas. É importante que a CF se una às iniciativas do Congresso. Só para citar um exemplo, o texto-base da CF propõe que a Igreja Católica no Brasil assuma e valorize a proposta do Dia Mundial dos Pobres que, há três anos, o papa pede que celebremos no 32º domingo comum do ano. Neste ano, esse dia cairá em 15/11, dia do encerramento do Congresso Eucarístico. Toda a Campanha da Fraternidade está centrada no exemplo de Santa Dulce dos Pobres, que ensina: "O importante é fazer a caridade, não falar de caridade."

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