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Opinião
Editorial O coronavírus e a economia

Publicado em: 06/02/2020 03:00 Atualizado em: 06/02/2020 08:55

“As consequências vêm depois”, repete o conselheiro Acácio, especialista em obviedades. O personagem de Eça de Queirós sobressai no momento em que o mundo enfrenta uma epidemia na China que já matou meio milhar de pessoas e contaminou mais de 24 mil entre adultos e crianças. Apesar dos esforços para conter a proliferação do novo coronavírus e dos avanços nas pesquisas da vacina contra o mal, um fato é indiscutível. A tragédia que se abateu sobre a segunda economia do planeta cobrará preço alto do mundo. Além do transporte aéreo e marítimo, a indústria do turismo acumulará perdas substantivas. Teme-se que o carnaval atraia menos foliões do que o previsto.

Não só. A espada de Dâmocles ameaça a cabeça de grandes eventos. Um deles: as Olimpíadas de Tóquio. Marcada para o período de 24 de julho a 9 de agosto, a competição reúne 33 modalidades esportivas e a participação de 11 mil atletas que representam 204 países. A expectativa é que o Japão receba 4,5 milhões de pessoas dos cinco continentes.

Investimentos também serão afetados. Especialistas preveem queda no Produto Interno Bruto (PIB) chinês em torno de 0,6%. O percentual dependerá da evolução (e duração) do surto do coronavírus. A Câmara de Comércio Brasil-China calcula perda bilionária nas aplicações de Pequim no país. A previsão de US$ 11-12 bilhões murchou para US$ 8-9 bilhões.

O banco suíço UBS reviu a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2020 — de 2,5% para 2,1% diante dos efeitos da epidemia que afeta nosso principal parceiro comercial. Soja, petróleo e minério de ferro terão o preço afetado diretamente pela queda da demanda chinesa.

O cenário dramático impõe medidas inadiáveis. É importante o Brasil se preparar para fazer frente a desafios presentes e futuros. O Congresso, que se tem mostrado sensível às urgências nacionais, precisa apressar o passo. Num ano curto em razão das eleições municipais, tem de aprovar as reformas para desburocratizar, simplificar procedimentos e tornar o país mais competitivo. Dependendo da resposta, as consequências virão — para o bem ou para o mal. 

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