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Opinião
O Brasil deve avançar na construção de uma nova cultura de gestão pública

Camilo Santana, Eduardo Leite, Paulo Câmara e Eliane Aquino
Camilo Santana (PT) é governador do Ceará, Eduardo Leite (PSDB) é governador do Rio Grande do Sul, Paulo Câmara (PSB) é governador de Pernambuco e Eliane Aquino (PT) é vice-governadora de Sergipe

Publicado em: 29/02/2020 03:00 Atualizado em: 01/03/2020 10:59

É responsabilidade de todo governo oferecer bons serviços à população, seja na saúde, educação, segurança ou qualquer outra área. Mas isso só acontece se as pessoas que atuam nesses setores também recebem a atenção e os estímulos devidos para trabalharem com eficiência.  

Um bom exemplo de país que investiu na gestão de pessoas do setor público e colheu bons resultados é Singapura. Há 50 anos, o país não tinha recursos naturais nem recursos econômicos, era pobre e vivia uma forte tensão racial. A aposta foi ver no seu povo, sua gente, o principal ativo que o país possuía. Uma série de medidas, que incluiu construir uma carreira pública atraente, de muito prestígio, com salários competitivos com os da iniciativa privada e selecionar os melhores profissionais para cada vaga, fizeram com que hoje o país esteja entre os mais ricos do mundo.

Para conhecer mais sobre o assunto, estivemos em Singapura em setembro. Mais de 20 gestores públicos brasileiros e representantes do terceiro setor se reuniram a convite da Fundação Lemann, Instituto Humanize e República.org para entender como é possível melhorar a gestão de profissionais tão estratégicos e essenciais para o avanço dos serviços e políticas públicas de um país.

Além de atrair os melhores talentos para o governo, Singapura valoriza a missão do servidor público e estabelece claramente as competências e habilidades necessárias para a realização dos trabalhos, em especial, das lideranças no governo. Os que se destacam participam de projetos estratégicos e recebem novas oportunidades de formação e treinamentos.

Dos aprendizados no país asiático, observamos que muitas experiências podem ser adaptadas à realidade brasileira. Podemos construir um serviço público de melhor qualidade e mais duradouro se mudarmos a lógica de atrair e selecionar pessoas, garantir a capacidade técnica desses profissionais, investir na formação das lideranças e inovar nos estímulos dados aos servidores. Com critérios claros de recrutamento que independem do viés ideológico dos governos.

É um modelo de gestão pública seguido por países como Reino Unido, Estados Unidos, Portugal e Austrália, que são referência no tema e que conseguem que as vagas públicas sejam tão concorridas como um emprego no Google.   

Apesar de essa visão estratégica ainda não ser muito disseminada no Brasil, alguns estados pioneiros já contam com iniciativas transformadoras. Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe adotaram programas que valorizam a capacidade de entrega de seus servidores ao seguir processos de pré-seleção baseados em competências e sistemas de desempenho com foco em entrega para a sociedade, além de desenvolver suas lideranças. Iniciativas que farão muita diferença no futuro.

Pessoas são o que fazem qualquer setor ou organização ter sucesso. E o governo também não pode existir sem pessoas aptas, comprometidas, preparadas e com o suporte necessário. É preciso mudar o paradigma atual das lideranças públicas para entregar serviços públicos cada vez melhores para a população e esse tem que ser um compromisso de todos nós.

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