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Opinião
Editorial Construção de pontes

Publicado em: 15/02/2020 03:00 Atualizado em: 16/02/2020 08:11

A distensão nas relações entre Brasil e Argentina é o caminho apropriado a ser buscado, sem hesitação, pelo Palácio do Planalto e a Casa Rosada, sede do governo do país vizinho. A visita do chanceler argentino, Felipe Solás, a Brasília, e seu inesperado encontro com o presidente Jair Bolsonaro mostram que o caminho do diálogo é possível, mesmo que existam diferenças entre os dois governos. E será somente por meio de conversas sinceras que as duas nações irmãs conseguirão preservar entendimentos passados e futuros, para o bem de todos. Confrontos devem ser evitados, sobretudo entre dois grandes parceiros comerciais, num mundo totalmente globalizado, apesar de iniciativas isolacionistas de algumas lideranças internacionais.

O momento atual é de pragmatismo e de construção de pontes para que os dois países estreitem seus contatos. Inegável que, atualmente, os governos brasileiro e argentino têm visões bastante diferentes em relação às relações comerciais. A equipe do ministro Paulo Guedes está focada em abrir o mercado ao mundo, seja por intermédio da entrada na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), seja por meio de acordos bilaterais com os Estados Unidos, União Europeia e até a China, considerada meta prioritária para os colaboradores de Guedes.

Ocorre que as regras do Mercosul travam esse tipo de parcerias e o Planalto não sabe a real disposição da Casa Rosada em rever pontos do acordo comercial firmado no Sul do continente. Economistas lembram que a grave crise na Argentina levou o governo local a aplicar, novamente, medidas protecionistas, o que vai de encontro à disposição do Planalto de se abrir globalmente. Para entrar em novos mercados e fechar acordos ambiciosos, o Brasil precisa que seus parceiros regionais reestruturem o Mercosul.

A mudança nas regras tem o respaldo do Uruguai e Paraguai, também interessados em firmar acordos comerciais bilaterais, o que certamente impulsionaria suas economias. No entanto, tem a oposição dos argentinos, temerosos em escancarar seu mercado aos produtos estrangeiros na atual recessão em que se encontram.

As relações entre as duas maiores economias da América do Sul sempre foram estratégicas, independentemente de quem é o governante do momento. O que não se pode perder de vista é que a Argentina continua sendo o terceiro parceiro mais importante do Brasil e parceria histórica construída tem de ser valorizada e preservada.

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