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Anosfresia

José Carlos L. Poroca
Executivo do segmento shopping centers

Publicado em: 15/02/2020 03:00 Atualizado em: 16/02/2020 08:11

Li/ouvi que Um dia de chuva em Nova Iorque - último filme de Woody Allen - é “comédia rasa”, “mais do mesmo” e coisas do tipo. Na mão inversa, digo que a fotografia é de primeira, trilha musical (Errol Garnen, Chet Baker, Bing Crosby etc) do melhor nível (como nos filmes anteriores de Allen), enredo de não se jogar fora etc.

Pego o gancho para resumir uma historiazinha que dizem ter ocorrido (não aconteceu – é bom frisar) com o jurista Rui Barbosa, ao dar, a pedido, um litle parecer na folha de um bloco que tinha seu nome impresso. O solicitante, ao ouvir do parecerista o valor dos honorários pelo trabalho, esperneou e comparou com o tamanho da folha do parecer. O jurista baiano ouviu as queixas e, a seguir, pediu de volta a folha; cortou o nome, na parte superior, e a assinatura, na parte inferior; a seguir, devolveu a folha ao cliente dizendo: não vai lhe custar nada.

Utilizo o caso-exemplo para Um dia de chuva... : tem a chancela de Mr. Woody Allen. Ponto. O meu grau de suspeição (escala de 1 a 10), está no 8, mas, não se pode deixar de evidenciar os pontos positivos da obra do diretor nova-iorquino. Aliás, vendo o filme, morri de inveja das pessoas que conseguem andar nas ruas – como ocorre do outro lado do Atlântico. Aproveito a brecha e ouso dizer que o direito de ir e vir é inquestionável; o ir e vir - com os pertences, sem medo, sem ameaças ou sob a mira de um trezoitão (já passei pela experiência) - é indiscutível.

Vendo Um dia de chuva..., fiz um teletransporte para a tela por segundos e consegui sentir o agradável cheiro da vegetação recebendo a água da chuva e logo após tocar o chão – proporcionando o cheiro bom e próprio da terra molhada. A sensação não tem nada de surreal, mas passou a ser privilégio de poucos e, aos mortais que residem nas principais cidades brasileiras, resta sonhar e imaginar que ainda é possível, mesmo que seja apenas na imaginação.

Também apelando para a imaginação - não dói e custa quase nada -, sonhei com um aplicativo que nos deixaria temporariamente anosmáticos, para não sentir odores das ruas e becos por onde passam diariamente seres chamados de humanos; estou me referindo às vias-mictórios que exalam a fragrância da urina, a que deixa as narinas com ardor. Com o aplicativo, bastaria apertar o ‘on’ ou o ‘off’ – de acordo com o gosto do freguês. O assunto é oportuno diante da proximidade do carnaval, quando só é possível não sentir aquele aroma (leia fedor) adotando a tática de ficar a quilômetros de distância e torcer para os ventos soprarem em direção oposta.

Perguntar nem sempre ofende: falta muito para o São João?

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