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Opinião
Editorial Uma tragédia que se repete

Publicado em: 29/01/2020 03:00 Atualizado em: 29/01/2020 08:45

A tragédia é anunciada, senão todos os anos, pelo menos em períodos cada vez mais curtos de tempo. E com ela vem o drama dos que perdem tudo: familiares, amigos, casas e demais pertences, além de sonhos de uma vida melhor. Tudo levado pelas chuvas torrenciais que insistem em assolar estados como Minas Gerais e Espírito Santo, os mais atingidos pelas precipitações pluviométricas deste verão, muito superiores às registradas historicamente. Mas, em meio ao caos e à dor, surge a esperança por meio da solidariedade de quem não sofreu as consequências danosas das manifestações da natureza, a cada dia mais devastadoras. Para expressiva parcela da comunidade científica internacional, por causa do aquecimento global.

Em Minas, já são mais de 50 mortes provocadas pelos temporais dos últimos dias. No Espírito Santo, onde desabrigados e desalojados ultrapassam 10 mil, a população continua apreensiva com a elevação do nível das águas dos cursos d’água, principalmente as do Rio Doce. Importante via pluvial — meio de subsistência de milhares de pessoas — destruída pelo mar de lama vindo de terras mineiras, quando do rompimento da Barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, em 2015. A queda da estrutura provocou a morte de 19 pessoas e praticamente extinguiu a vida animal e vegetal ao longo do Rio Doce, que atravessa grande parte do território capixaba, comprometendo a qualidade de vida de milhares de pessoas.

A devastação causada pelas chuvas deste ano vem castigando mais de 120 cidades de Minas, que recorrem a decretos em busca de algum socorro, sobretudo dos governos estadual e federal. Ajuda sempre prometida pelas autoridades quando da ocorrência das tragédias, mas que não se viabilizam quando a poeira abaixa e as mortes e os prejuízos materiais deixam de ser contabilizados.

Erro recorrente que não é sanado, apesar das experiências desastradas do passado e de todos os alertas e do conhecimento antecipado de precipitações superiores às normais e das áreas de risco nas cidades ribeirinhas e de topografia montanhosa. Essas últimas sujeitas a deslizamentos de encostas onde a população, sobretudo a de baixa renda, constrói suas moradias. Casas que não são removidas pelos órgãos públicos competentes, que, agindo assim, deixam vulneráveis as famílias que lá moram.

Que todas as ações necessárias sejam adotadas para que não se repitam, no futuro próximo, as desoladoras imagens de rios engolindo quarteirões inteiros e deixando os moradores sem nada. Drama agravado pela falta de água potável, seja por causa da contaminação dos mananciais e reservatórios, seja pelo uso inadequado e sem controle de tão precioso líquido para a remoção dos resíduos deixados pelas enchentes. Que tudo seja feito para conter as inundações e minimizar o sofrimento das vítimas das chuvas, agora e no futuro.

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