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Opinião
Editorial Uma reflexão sobre o Enem

Publicado em: 30/01/2020 03:00 Atualizado em: 30/01/2020 08:43

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não é a melhor forma de selecionar os estudantes que entrarão na universidade. A prova única, aplicada em país de dimensão continental, ignora as abissais diferenças regionais e saberes importantes que compõem a diversidade cultural brasileira.

Além de desperdiçar talentos, exige uma logística cara para ser aplicada nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados no mesmo dia e horário para uma média de 5 milhões de candidatos que disputam uma vaga no nível superior. O gigantismo e a importância do exame exigem administração técnica e profissional.

Não é, porém, o que se tem visto. Há uma década, o Enem vem somando falhas. A balbúrdia vai desde a quebra de sigilo e a venda de provas até a anulação de questões. Em 2019, o enredo se reprisou. A correção de provas foi feita com gabarito trocado.

O erro passou despercebido ao MEC. Ao divulgar os resultados, o ministro Abraham Weintraub anunciou ter feito o melhor Enem de todos os tempos. O lapso só foi detectado graças à grita de estudantes que se deram conta da incoerência dos acertos com as notas.

Sem transparência nos procedimentos, o ministério minimizou o ocorrido. Chamou-o de “inconsistência”. O eufemismo foi insuficiente para convencer o Ministério Público e a Defensoria Pública, que recorreram à Justiça para suspender as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o acesso ao Programa Universidade para Todos (Prouni).

Na terça, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o MEC a retomar o processamento dos resultados. A volta à rotina, porém, não apaga os estragos na imagem do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame. A seleção dos milhões de candidatos perde confiabilidade. É grave.

Mas, em vez de medidas estruturais para restabelecer a credibilidade, o MEC apaga incêndios. Conjuga o verbo remediar em vez de prevenir. O fiasco deste ano comprometeu o planejamento das universidades federais e se constituiu pesadelo para 1,8 milhão de estudantes e respectivos familiares. Não é pouco.

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