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Opinião
Editorial O que esperar do setor automotivo?

Publicado em: 22/01/2020 03:00 Atualizado em: 22/01/2020 08:56

Já foi dada a largada para 2020, e a indústria automotiva faz uma projeção de números um pouco melhores para este ano, sem, no entanto, exagerar no otimismo. De 2017 a 2019, a recuperação do setor deixou alguns analistas entusiasmados, mas os números ainda estão longe de atingir os patamares desejáveis que foram registrados antes da crise instalada em 2014. A indústria foca principalmente na recuperação da produção e vendas de automóveis e comerciais leves, além das exportações, que amargaram queda significativa no ano passado.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil encerrou 2019 com 2,57 milhões de autoveículos licenciados, o que representou um crescimento de 8,6% em relação ao resultado de 2018. Já o crescimento da produção acumulada do ano foi mais tímido, de apena 2,3%, comprovando que a indústria ainda está ressabiada com a política econômica do país, embora aprove as mudanças estruturais e reformas encaminhadas pelo governo federal.

A queda de 31,9% nas exportações, provocada principalmente pela crise econômica aguda na Argentina, também é fator que preocupa o setor, já que interfere diretamente na produção interna. E o cenário não foi positivo também para as 15 montadoras ligadas à Associação das Empresas Brasileiras Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), que registrou queda de 7,9% nos licenciamentos em 2019, com 34.597 unidades, contra as 37.582 registradas em 2018.

A Abeifa havia feito uma projeção inicial de encerrar 2019 com 50 mil veículos importados licenciados no Brasil, mas o número foi revisto posteriormente para 40 mil, e não foi atingido. Foi o segundo ano consecutivo sem os 30 pontos percentuais adicionais no IPI, do Programa Inovar-Auto, o que fez o setor de veículos importados acreditar em uma recuperação mais sólida, mas o dólar em alta inibiu os investimentos e o resultado foi a queda nas importações.

O certo é que, independentemente da política econômica interna e das complicadas relações do governo federal com países vizinhos e distantes, a indústria automotiva dá sinais de que não vai cruzar os braços para esperar o que vai acontecer. A expectativa é de que vários modelos – novos, reestilizados e versões – cheguem ao mercado brasileiro em 2020.

O consumidor brasileiro ainda tem muito que se preocupar, pois paga caro por carros compactos com poucos equipamentos, nem sempre seguros, e com preço acima dos R$ 40 mil. Muito dinheiro para uma população na qual grande parte vive de salário-mínimo. O carro no Brasil continua muito caro, seja pelos altos impostos ou margem de lucro elevada, e muitas vezes fica devendo em itens de segurança e conforto. É preciso encontrar a fórmula certa para estimular a produção, mas também melhorar a condição para que o consumidor tenha poder aquisitivo e incentivos, como juros baixos. Só assim será possível acreditar que 2020 será o ano da retomada definitiva da indústria automotiva.

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