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Opinião
Editorial O Brasil tem de se preparar para o coronavírus

Publicado em: 28/01/2020 03:00 Atualizado em: 28/01/2020 09:02

No século 21, não só as comunicações são rápidas. Os meios de transporte também são. Graças a eles, uma epidemia de vírus pode atingir os cinco continentes em dias. É a ameaça que paira sobre o mundo depois da descoberta do coronavírus em Wuhan, na China. O número de mortos ultrapassa 80. Mais de uma dezena de países já tem cidadãos infectados nos próprios territórios. Contam-se mais de 2 mil contaminados, o maior número concentrado na Ásia, mas com registros nos Estados Unidos, Canadá e França.

O governo de Pequim tomou providências rigorosas. Isolou Wuhan e demais cidades da província de Huben, com cerca de 50 milhões de habitantes. Cancelou as comemorações do ano novo, feriado longo que, tradicionalmente, se destina ao reencontro de familiares distantes. Proibiu excursões. Desautorizou a venda de animais em mercados. (Suspeita-se que o novo vírus tenha sido transmitido aos humanos em razão do consumo de carne de cobra ou morcego.)

Apesar das rígidas medidas, infectologistas afirmam serem insuficientes para conter a expansão do coronavírus pelos cinco continentes. Pequim mantém robustas relações comerciais com a maior parte do mundo, o que intensifica a ida e vinda de executivos e demais profissionais de empresas ou governo, além de estimular o turismo. A segunda potência do planeta, vale lembrar, é o maior parceiro comercial do Brasil.

O ministro da Saúde da China, Ma Xiawei, fez no domingo um alerta que acendeu a luz vermelha das autoridades mundiais: a transmissão da doença não se dá apenas de pessoas que apresentam os sintomas da infecção. Pessoas infectadas mas sem sintomas podem transmitir o mal. Cada uma faz duas ou três vítimas.

Como o período de incubação é de um a 14 dias, há o risco real de propagação célere do vírus. Mais: o prefeito de Wuhan confessou que 5 milhões de cidadãos deixaram a cidade antes do isolamento. No dia 23, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu não decretar, naquele momento, a situação de emergência internacional. Talvez o faça agora.

Dificilmente o Brasil escapará da rota do vírus. Por isso, precisa se prevenir. O deficiente sistema público de saúde não dá conta de atender os pacientes que chegam em fluxo normal. Ali se conjuga o verbo faltar. Faltam leitos, profissionais, medicamentos, gestão. Daí por que se impõe um plano contra o coronavírus com articulação das autoridades federais, estaduais e municipais.

Em 1918, a gripe espanhola, pior epidemia da história, matou 50 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, ceifou a vida de 35 mil, somados adultos e crianças. Entre os mortos, estava o presidente Rodrigues Alves, eleito para o segundo mandato. À época, não havia antibióticos nem penicilina. A rede pública de saúde não existia. A situação agora é diferente. Precisa-se de planejamento para antecipar a chegada do coronavírus e evitar mortes evitáveis.

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