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Opinião
Como sobreviver sem as telas?

Rogério Morais
Secretário Executivo para a Primeira Infância do Recife

Publicado em: 18/01/2020 03:00 Atualizado em: 20/01/2020 11:30

Não trago respostas ou fórmulas mágicas. É fato que o desafio de diminuir a dependência do uso das telas pelas crianças, utilizadas quase como uma “chupeta digital”, é uma das maiores lutas nos dias atuais. A reflexão mais importante para ser comunicada aos responsáveis é sobre o mal que o uso de celulares, tablets e TVs pode fazer à saúde dos filhos. A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda uso algum, até os 2 anos de idade. Dos 2 aos 5, uma hora de exposição diária, no máximo.

Recentemente, li um livro muito interessante, das mães Rafaela Carvalho e Roberta Ferec, que me pareceu um bom compêndio de pesquisas e observações sobre esta temática. Em “Tela com cautela: um guia prático para criar filhos na era digital (sem perder a sanidade)”, as estudiosas do assunto trazem uma abordagem de como encarar essas dificuldades do dia a dia com muita criatividade, planejamento e jogo de cintura.

Muitos utilizam em exagero, sem limitações: no carro, durante as refeições, antes de dormir, na escola, durante a semana (de domingo a domingo)... Este uso inadequado das tecnologias pode provocar danos cerebrais irreversíveis. Os malefícios podem ser cognitivos, sociais e emocionais. Especialistas apontam forte correlação entre o uso excessivo e problemas de saúde, como transtornos de ansiedade, depressão, dificuldades do sono, sedentarismo e obesidade. Além disso, podem trazer riscos de exposição à violência, crimes de pedofilia, pornografia e cyberbullying.

A probabilidade cresce quando os familiares também possuem maus hábitos e comprometem a interação e a comunicação responsiva, comportamento de vital importância para o desenvolvimento de funções executivas, principalmente na primeira infância (período de zero a seis anos). Tal fenômeno, denominado pelos especialistas de “distração parental”, pode até causar acidentes mais graves.

Para apoiar as famílias nessa difícil tarefa, os governantes devem priorizar políticas públicas que permitam o brincar livre, a socialização e a autonomia das crianças. Ter um parque ou mesmo uma praça perto de casa cria boas alternativas urbanas. Já nas creches e escolas, o incentivo à leitura e ao uso de jogos estimula os estudantes a tomarem gosto por uma rotina lúdica mais diversificada. Esta é a base pedagógica do Programa Brinqueducar, que dotou todas as unidades de Educação Infantil da rede municipal do Recife com livros de literatura infantil, brinquedos e playgrounds. Nos últimos 7 anos, mais de 2 milhões de livros foram entregues aos estudantes da rede pública. Além disso, a Prefeitura também disponibilizou à população ricos acervos literários nas Bibliotecas Públicas e nas unidades do Compaz.

A tecnologia chegou para ficar. Os nativos digitais terão uma vida virtual inerente ao cotidiano, com facilidades e economias de tempo e recursos inexistentes para as gerações passadas. Mas nada substituirá o contato humano para um crescimento e desenvolvimento mais equilibrado. Criar hábitos mais saudáveis nos primeiros anos de vida de um ser humano pode demandar algum esforço, contudo será o melhor investimento para o futuro do seu filho. Menos telas, mais conexões!

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