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Opinião
Sem cultura e arte não há economia

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 02/12/2019 03:00 Atualizado em: 03/12/2019 10:37

Muita gente no Brasil ainda não se deu conta até hoje da magnífica participação da cultura na economia de um país. Pois sem ela, posso assegurar de olhos fechados, não há crescimento econômico. É impossível. Ocorre que nunca se deu, entre nós, a devida importância à produção cultural, sempre julgada coisa de vagabundo.

Com um mínimo elementar de exame cuidadoso, podemos afirmar que a  fortuna espetacular dos Estados Unidos está montada na cultura e na arte. Quando nos lembramos do americano do Norte, nos lembramos, imediatamente, do cinema, da música, do teatro, da literatura. E este “nos lembramos” gera fortunas imediatamente. Dólares, empregos, impostos, sustentação econômica, tudo vem daí.

Que, de certa forma, direta ou indiretamente, passa a compor o quadro riquíssimo do turismo. Mesmo os hotéis não existiriam e, portanto, os empregos, sem carnaval, são joão, Natal. parte substancial da cultura. Porque temos ainda o teatro, o magnífico teatro pernambucano e recifense que promove um grande movimento, sobretudo nos finais de semana.

Os empresários deveriam estar de joelhos diante do nosso cinema, fonte de renda e de arte, a criar maravilhas, de respeito aos pobres e aos diferentes, algo definitivamente belo e enriquecedor, a divulgar o que nosso povo inventa de melhor, com todos os olhos voltados para nós, criando, por isso mesmo, uma economia extremamente forte, sólida, duradoura.  Assim também ocorre com teatro, com dezenas de pequenos grupos criando e representando nesta bela cidade do Recife, e em cidades do Interior. Movimentando a economia, isto é, colocando em debate os nossos valores culturais, mesmo aqueles que não são imediatamente percebidos.

Um grupo teatral movimenta setores básicos da economia, embora nem sempre observados. E logo se transformam em atração turística, além de colocar em debate as nossas virtudes e a nossa criação, de alertar para as nossas grandezas. E de exibi-las.

Quando fui presidente da Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco –, no magnífico governo Miguel Arraes, lutei para convencer os empresários locais a fazer investimentos no Festival de Inverno de Garanhuns, porque não achava justo que somente o governo investisse.

Além do mais não é gasto, é investimento. No plano da cultura e da arte, todo real investido retorna dez vezes mais. Basta um pouco de reflexão, com certeza. Estou convencido de que Pernambuco está no plano certo, com o apoio sistemático do governo à literatura e aos bens culturais, tão enriquecedores.

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