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Opinião
Rir pode ser um sopro de esperança

Francisco Dacal
Administrador de empresas e escritor

Publicado em: 06/12/2019 03:00 Atualizado em: 06/12/2019 08:59

A longeva revista Seleções Reader’s Digest, publicada no Brasil como Seleções, desde a origem tem uma seção de anedotas chamada “Rir é o melhor remédio”. Até parece que a seção foi criada para nós, que não temos outra coisa a fazer a não ser rir da crua realidade do país, vítima de tantas aberrações. Conviemos, cansado de lamentações, rir, como remédio, é a melhor solução mesmo.

A propósito, caro leitor, lembras do Palhaço Goiabada, personagem criado e interpretado por um dos expoentes da nossa cultura, o múltiplo artista Jô Soares, no saudoso programa Viva o Gordo. Em cena, toda vez que o Palhaço Goiabada voltava do picadeiro, para o camarim, após uma apresentação, o diretor do Circo lhe reclamava por não conseguir fazer a plateia rir, e ele se justificava dizendo ser impossível fazê-la rir porque “a realidade é muito mais hilária, tá difícil competir” – o bordão. Em seguida, contava um fato real, abaixo da expectativa, esdrúxulo ou maldoso, em cima de uma notícia corrente, levando o diretor reclamante às gargalhadas, obviamente pelo contrassenso que o fato colocado induzia. O Palhaço Goiabada continua bem atual, nos dias de hoje teria panos pra manga. Recorro ao Dom Quixote, que disse: “Nenhuma comparação há que mais ao vivo nos represente o que somos e o que devemos ser como a comédia e os comediantes”.

Com a devida vênia, seguem algumas situações que poderiam se tornar esquetes, no Circo: 1- O Supremo Tribunal Federal alterou a jurisprudência de que um criminoso condenado em 2ª Instância já podia cumprir pena de prisão, como ocorre em 193 países, dos 194 países da ONU. Com a decisão, vários condenados que estavam presos já foram soltos, e a porteira está aberta para outros tantos; o cálculo é de 4.895 de diversas categorias de periculosidade. A regra, agora, é que um condenado em 2ª Instância só poderá cumprir a pena depois do “trânsito em julgado” em instâncias superiores, ou seja, a perder de vista, ou nunca. 2- O ex-governador Antony Garotinho, do Rio de Janeiro, teve uma pena, em que foi condenado, prescrita por demora no julgamento dos recursos de apelação superior. Escapou, à luz da Justiça, da merecida punição. 3- Os quatro últimos ex-governadores do Rio de Janeiro, eleitos e reeleitos, a partir de 1998, foram presos por corrupção. Por sinal, todos os governadores da “cidade maravilhosa” no século 21. 4- Quando a ex-presidente da República Dilma Rousseff sofreu o impeachment não perdeu automaticamente os direitos políticos por oito anos, como estabelece a Constituição no artigo 52 – Parágrafo único, conforme aplicado no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, que perdeu – na hora inventaram um tal de “fatiamento”. 5- Há um destacado advogado de um condenado num processo da Lava-Jato, na 1ª e 2ª Instâncias, que já teve mais de 100 recursos negados, em todas as Instâncias, incluindo o STJ e STF, e mesmo assim o nobre profissional diz que seu cliente é injustiçado, foi condenado sem provas. 6- Na Câmara Federal tem ocorrido de deputado condenado e preso participar normalmente das sessões. Quando da pena, o Conselho de Ética da casa não cassou o mandato do mesmo. ...E por aí vai, casos e casos.

Nas circunstâncias atuais, rir pode ser um sopro de esperança. Quantas saudades de vultos como o Barão de Itararé, Stanislaw Ponte Preta, José de Vasconcellos, Millôr Fernandes, Agildo Ribeiro, Chico Anysio.

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