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Opinião
Riqueza e beleza da crítica literária

Raimundo Carrero
Professores devem ler e debater este livro com os alunos.

Publicado em: 09/12/2019 03:00 Atualizado em: 09/12/2019 06:01

Neste momento de pouca ou nenhuma atividade de crítica literária na imprensa de Pernambuco, o livro Realidade Inominada, deste magnífico Lourival Holanda inquieta-me e incendeia-me pelo que me provoca e me atormenta, no melhor sentido possível. É atormentador, todavia, observar que este livro publicado pela Cepe, com prefácio de Eduardo César Maia, permanece nas prateleiras das livrarias por falta de uma crítica saudável que convide os olhos dos leitores, como, aliás, tem ocorrido com muitos outros textos.

Costuma-se dizer que os jornais não publicam mais críticas e artigos sobre literatura. O que não é verdade; os jornais publicam, sim, desde que sejam escritos e encaminhados aos editores. É claro que precisam ser bem escritos e defendam consideráveis pontos de vista. Este DIÁRIO DE PERNAMBUCO, por exemplo, nunca recusou um artigo por ser crítica literária. Nem agora nem nunca.. Nunca ouvi de editores que não publicam artigos literários.

Mas devemos destacar, sobretudo, a importância e a grandeza do Suplemento Pernambuco e da Revista Continente, publicações da Cepe que abordam questões culturais mais amplas do Estado e do Brasil, sob o comando de Schineider Caspeggiani e Adriana Dória, a partir da literatura, análises e reflexões que vão muito além daquilo que Lourival Holanda chama  de aula anatomia dos livros , para ir em busca de costumes, indissiocrasias, preconceitos, adesões. Até porque esta é uma visão correta até mesmo daquilo que se chama crítica literária.

Não se pode esquecer, ainda, os cadernos culturais dos jornais recifenses com ampla visão cultural, cada vez mais enriquecida e enriquecedora, a provocar o leitor, a coloca-lo dentro de um amplo, instigante e vigoroso debate que se realiza a cada instante e que pede a participação de todos nós, não como anatomistas, mas como participantes e construtores de uma sociedade ampla e diversa.

Por isso mesmo, é que Eduardo César Maia destaca na apresentação: a critica literária que o leitor encontrará neste livro se dá, invariavelmente,  como um processo de abertura, de sugestão, de analogia, daí a escolha do ensaio ensaístico como meio de reflexão e de comunicação, não havendo espaço para formulações dogmáticas e para a aplicação de teorias totalizantes e monológicas.  

Convido o leitor a percorrer as páginas de Realidade Inominada – Ensaios e Aproximações, onde encontrará riquezas como esta:  Numa homenagem rendida pelos seus 70 anos, um orador louvou Freud, enquanto descobridor do inconsciente. Honesto, Freud ratificou: Os poetas e os filósofos descobriram o inconsciente bem antes de mim; o que descobri foi um método científico que permite estudar o inconsciente.

E mais:  A palavra é, portanto, o objeto de um intercâmbio por onde nos reconhecemos. Rede de relações que nos subjetiva e transfigura nossas necessidades e afetos. Constituidos de uma dupla falta: já nascemos com uma carência cuja suplência confiamos à linguagem – que, já em si, é um sistema falho.

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