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Opinião
Editorial Lixo gera preocupação

Publicado em: 02/12/2019 03:00 Atualizado em: 03/12/2019 10:36

Em meio a gravíssimos problemas relacionadas ao meio ambiente, como as recorrentes queimadas em grande escala no país e do óleo que poluiu mais de 800 localidades no litoral – o petróleo já chegou a praias do Rio de Janeiro –, outro dano ambiental sério tem de ser encarado de frente pelas autoridades: os lixões. Eles estão presentes em mais da metade dos municípios brasileiros e prejudicam número muito maior de cidades e habitantes, durante todo o ano. São verdadeira ameaça aos centros urbanos e à saúde das pessoas, o que acaba sobrecarregando, ainda mais, o sistema de saúde pública. Não é incomum, na periferia de grandes centros urbanos, a degradante cena de homens, mulheres e crianças se expondo a toda sorte de contaminação no meios dos lixões.

Estudo inédito da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos Sólidos e Efluentes (Abetre) constatou que aproximadamente 60% dos municípios brasileiros utilizam os inadequados lixões, impactando cerca de 42 milhões de moradores. Ao analisar bancos de dados públicos como o do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), das 3.556 cidades pesquisadas, chegou-se à conclusão de que existem 2.207 locais de destinação final do lixo, sendo apenas 640 aterros sanitários. Os lixões e 1.667, uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga do lixo sobre o solo, sem qualquer medida de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.

Tudo indica, na avaliação dos técnicos, que os outros 2.014 municípios que não responderam ao questionário do SINS sobre a destinação dos resíduos utilizam lixões. Se tivessem aterros funcionando normalmente, não se furtariam a fornecer as informações solicitadas pela entidade. A estimativa é de que esses locais impróprios, onde o lixo residencial, comercial, hospitalar e industrial se misturam perigosamente, recebem, por ano, algo em torno de mais de 70 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, sendo 78% reciclável (entre orgânicos e secos) – a questão é que a coleta seletiva ainda engatinha no Brasil.

Calcula-se que seriam necessários cerca de 500 aterros sanitários para mitigar o problema dos lixões em todo o país, a um custo de, aproximadamente, R$ 2,6 bilhões. No entanto, não basta a liberação dos recursos para as obras. É preciso garantir a sustentabilidade econômica dos aterros e do sistema de coleta e destinação do lixo. Dados do SNIS mostram que mais de 70% das 901 cidades brasileiras cujos serviços de limpeza urbana têm autossuficiência financeira, acima de 10% já conseguiram eliminar os lixões.

O certo é que muitos aterros sanitários implementados com verbas do governo federal viraram lixões por falta de dinheiro para manutenção. Diante da constatação de que o país enfrenta sérias dificuldades para destinar corretamente o lixo, com graves consequências para a população e o meio ambiente, medidas efetivas têm de ser tomada com urgência, pelos governantes, para reverter esse quadro.

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