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Opinião
Editorial Juros têm que cair mais

Publicado em: 09/12/2019 03:00 Atualizado em: 09/12/2019 06:00

O Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira para definir os rumos da taxa básica de juros (Selic). Há cerca de 40 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) contratou mais uma queda de 0,5 ponto percentual no indicador que serve de base para a formação do custo do dinheiro. Mantido esse compromisso, a Selic baixará dos atuais 5% para 4,5% ao ano, registrando novo piso histórico. Um feito e tanto.

Nos últimos dias, porém, parte dos economistas passou a questionar se realmente era seguro o BC dar mais esse passo num momento em que a inflação está em disparada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,51% em novembro e pode alcançar 1% em dezembro. São números realmente elevados. Mas é importante ressaltar: o movimento de alta é passageiro e está concentrado em três grupos: carnes, loterias e energia elétrica. Em janeiro, tudo deve voltar à normalidade.

É vital, portando, que o Banco Central não se deixe contaminar pelos pessimistas. Como diz o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ele é o primeiro dos comandantes da instituição que não tem porque se preocupar com a inflação. Todas as projeções apontam para um IPCA abaixo da meta em 2019 e em 2020, mesmo com os objetivos definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) caindo ano após ano.

Quem acompanha a economia real sabe o quanto juros mais baixos fazem bem à atividade econômica. Estimulam o consumo e os investimentos produtivos. Não por acaso, o volume de crédito concedido pelos bancos vem aumentando consideravelmente nos últimos meses. As pessoas estão se sentindo mais confortáveis para comprar a prazo, inclusive a casa própria, e as empresas, para tomar recursos a fim de ampliarem a produção. Esse é o caminho a ser seguido em uma economia saudável.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre — crescimento de 0,6% ante os três meses imediatamente anteriores — mostrou, claramente, que o crédito impulsionou o consumo das famílias e continuará a ser um alavancador da demanda e da produção nos próximos meses. Sendo assim, se o Banco Central cumprir a promessa de promover mais um corte da Selic em dezembro, certamente fará um bem enorme à atividade.

Há outro dado importante na decisão do BC. Ao antecipar a redução dos juros, a instituição criou fortes expectativas no mercado e entre os agentes econômicos. Mudar os rumos da política monetária de forma tão brusca pode criar uma sensação de que a situação da inflação não é tão confortável como se vem propagando. A credibilidade do Banco Central está fundamentada justamente na confiança que as suas palavras despertam. Não é hora de se mexer nesse pilar tão importante para o país.

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