Diario de Pernambuco
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Opinião
A primeira comarca, inconvenientes

Vladimir Carvalho
Presidente do TRF5

Publicado em: 10/12/2019 03:00 Atualizado em: 10/12/2019 09:10

Pernosticamente estampava o nome de hotel, único, aliás, na cidade. Era, apenas, pensão, o banheiro e sanitário coletivos, distinção que minha experiência acentua. Alguns inconvenientes se faziam presentes. Um deles, os quartos não eram forrados. De madrugada, na maioria das vezes, algum  motorista de caminhão ligava o rádio e todo mundo se acordava para ouvir o cancioneiro do horário. Diga-se de passagem que não era ocorrência de todos os dias. Vá lá. O outro inconveniente repousa, justamente, à época, na falta de água encanada. Uma semana, só foi uma, nada mais, faltou água na caixa do banheiro. Fiquei sem tomar banho.  

Acrescento, na lista de inconvenientes a ausência de sala apropriada para realização de júri. O que  não era novidade. Se não tínhamos foro, os serviços sendo realizados na sala de entrada da Prefeitura, onde, aliás, a Câmara Municipal se reunia, não se pode esperar lugar para o júri. Na busca de um, a escolha recaiu na sede de clube social. As cadeiras e mesas foram arrumadas, tudo se desenrolando sem problemas, a exceção da presença do acusado, que, devidamente escoltado, só chegou na hora do almoço – e, aí, estranhamente, a sessão teve início já com o almoço servido –, ao que se acrescenta a surpresa que tive quando o sol saiu de cena e as lâmpadas tiveram de ser acesas. Naquele tempo se constituía em moda a luz negra, e, ademais, o principal fim da sala era de ser palco de danças. O empeço foi vencido, alívio geral, o júri tinha de ser realizado, e, foi, a luz negra, à míngua de outra, permitindo que se trabalhasse.

A velha sede da Exatoria, que se mudava para uma nova, passou a ser nossa. A comarca, enfim, tinha seu fórum, pequeno e improvisado, a exibir, palidamente, um degrau alcançado. Outras conquistas me tiveram como testemunha, continuando quando da comarca eu era um nome a mais entre os juízes que a comandaram. Hoje, quarenta e um anos depois, a paisagem é outra, o passado, permanentemente, a abrir espaço, aqui e ali, para as lembranças, conservadas pela memória, subirem à superfície, exibindo a distância que se coloca entre ele e o presente. O dia a dia no meio de processos me entusiasmava. A minha jornada estava apenas iniciando.

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