Diario de Pernambuco
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Opinião
Uma cidade melhor para crianças é um lugar melhor para todos

Geraldo Julio
Prefeito do Recife

Publicado em: 02/11/2019 03:00 Atualizado em: 02/11/2019 07:50

Em 20 de novembro de 1989, o mundo inteiro fez uma promessa às crianças: tornar nosso planeta um lugar melhor para cada uma delas. Trinta anos depois, essa promessa, mais conhecida como Convenção sobre os Direitos da Criança, das Nações Unidas, tem um significado maior do que nunca.

Os desafios enfrentados pelas crianças hoje são mais complexos do que nunca, e elas pedem que todos trabalhemos juntos para criar um ambiente verdadeiramente preparado para dar voz a todas as crianças e garantir uma infância segura, feliz e onde elas possam ter seu desenvolvimento pleno. As evidências científicas apontam que mais do que um clichê, investir em políticas públicas para  crianças de 0 a 6 anos é realmente a aplicação de dinheiro público com maior capacidade de retorno a longo prazo. É, portanto, construção de futuro.

Por isso, as cidades devem ser lugares onde as crianças se sintam seguras e valorizadas, onde tenham acesso a serviços sociais essenciais e tenham a oportunidade de brincar e passar tempo com suas famílias. Em 1996, o Unicef, juntamente com os governos locais, lançou a iniciativa global Cidades Amigas da Criança para responder ao desafio de assegurar os direitos e o bem-estar das crianças em um mundo cada vez mais urbanizado. A iniciativa trabalha reunindo as partes interessadas locais para criar comunidades seguras, inclusivas e receptivas às crianças.

Hoje, a iniciativa é implementada em mais de 40 países, atingindo dezenas de milhões de crianças. Como prefeito, tenho orgulho do Recife fazer parte desta iniciativa. No Recife, a parceria com o UNICEF é essencial para a condução de toda a política de primeira infância que fazemos na cidade. Entre as inúmeras ações que são conduzidas dentro das diretrizes do Marco Legal da Primeira Infância, o Unicef é parceiro em várias delas, como a Semana do Bebê do Recife, que fazemos já há cinco anos na cidade e já é a maior do Brasil. Este ano, tivemos 1200 ações em toda a cidade chamando a atenção para a importância do desenvolvimento pleno da Primeira Infância.

Na passagem do trigésimo aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, me reuni com prefeitos de todo o mundo na primeira Cúpula Internacional das Cidades Amigas da Criança, organizada pela Unicef e pela cidade de Colônia, na Alemanha. O encontro foi uma oportunidade crucial para os líderes locais elaborarem um roteiro para a construção de cidades mais seguras e inclusivas, mais próximas das crianças e de suas necessidades. Fui o único prefeito do Brasil a participar, e tive a oportunidade de assinar, junto a outros líderes, a Declaração de Colônia, compromissos e metas para as crianças do Recife.

Aqui no Recife, já desenvolvemos uma ampla política voltada para as crianças da cidade, além do Marco Legal e da Semana do Bebê, temos os Compaz, o Hospital da Mulher, o Brinqueducar, a Escola do Futuro, os Espaços de Convivência Pertencer, entre tantos outros voltados para o desenvolvimento pleno de nossas crianças. A prioridade para a Primeira Infância no Recife se tornou uma política integrada e transversal, passando por todas as áreas da gestão. Juntos, podemos tornar nossas cidades melhores lugares para todas as crianças.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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