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Opinião
Editorial Transparência e a corrupção

Publicado em: 01/11/2019 03:00 Atualizado em: 01/11/2019 08:35

Em meio a ataques velados ou não contra a Lava-Jato, a maior operação anticorrupção levada a cabo no país, em ação conjunta do Judiciário, do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), surge uma boa notícia. A Transparência Internacional Brasil, órgão global de combate à corrupção, selecionou sete estados brasileiros para participar de um programa de redução do malefício que assombra e corrói as instituições de qualquer nação civilizada. Agentes serão treinados para diagnosticar casos de práticas irregulares na gestão pública nas unidades federativas e nos municípios, o que, certamente, contribuirá para o enfrentamento dos desvios éticos, morais e pecuniários praticados pelos governantes.

Atualmente, a maioria das ações anticorrupção ocorre na esfera federal e o projeto da organização internacional pretende preencher a lacuna existente, nos níveis estadual e municipal, nas práticas institucionais de combate à corrupção. É justamente nesses níveis em que os desvios afetam mais a população, porque é lá que ocorre a provisão direta dos serviços essenciais, como saúde, educação, saneamento básico, entre outros.

O programa capacitará servidores de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina e Rondônia em Copenhague, capital da Dinamarca, mas antes todos passarão por treinamento preliminar em Brasília. O país escandinavo, o menos corrupto do mundo, patrocina o programa, juntamente com o Canadá, o menos corrupto das Américas, de acordo com ranking da própria Transparência Internacional. O Brasil está na 105ª posição na lista, atrás do Chile, o melhor colocado na América do Sul (27º lugar), Argentina (85º) e Colômbia (99º).

Os participantes vão assinar acordo de cooperação técnica com o órgão, com direito a diagnóstico de integridade que vai avaliar o ambiente institucional e normativo, além de práticas anticorrupção e de transparência já adotadas. Em contrapartida, os entes federados devem apresentar, no início do ano que vem, planos de ação a serem executados a médio e longo prazos. O programa prevê que cada selecionado vai traçar suas estratégias políticas e administrativas e quais medidas concretas serão colocadas em prática para a implementação dos projetos.

A intenção da Transparência Internacional é estender o programa, numa próxima etapa, a todos os estados do país e ao Distrito Federal. E o objetivo não é envolver apenas os governos estaduais, mas também as assembleias legislativas, o Judiciário, o setor privado, a academia e a sociedade civil. A participação da população é fundamental para que as ações contra a corrupção sejam efetivas. É dever dos cidadãos cobrar dos governantes a implementação das medidas de combate a esse mal, presente nos mais diversos segmentos da sociedade brasileira.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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