Diario de Pernambuco
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Opinião
Salve, salve nosso Rei!

Alfredo Bertini
Economista e desportista

Publicado em: 04/11/2019 03:00 Atualizado em: 04/11/2019 08:32

Recentemente, nosso Rei Pelé fez aniversário e esse fato revelou para mim uma oportunidade ímpar para que pudesse reverenciar seu talento. Mais do que aquele natural, capaz de ser visto no cotidiano, quero aqui me referir aos casos sobrenaturais. Sim, aqueles tipos de talentos que se fossem graficamente demonstrados, seriam reconhecidos como pontos fora da curva. Ou, aqueles que no contexto das artes e das ciências, onde o exercício do ofício aflora uma sensibilidade própria na sua autoralidade, costumam-se ser reconhecidos como requintes de gênio. Aqui, há um seleto grupo de estrelas silentes que, imortalizadas pela suas respectivas obras, contribuem pela expressão da luz  no firmamento. De Homero a Galileu. De Da Vinci a Newton. De Dante a Bell. E por que não Michelangelo, Cervantes, Tolstói, Dostoiévski, Camões, Picasso, Van Gogh, Chaplin...e o nosso soberbo Pelé. Todos, simplesmente geniais.

Sim, são na percepção da poesia das jogadas de Pelé, que o futebol pode ser encarado pelos olhos da arte. E isso foi obra prima para poucos.  Os que conseguiram (e ainda conseguem) enxergar o artista da bola, sem tê-lo visto em campo, assim como, os que tiveram a oportunidade de ver de perto a verdadeira arte que Pelé foi capaz de exercitá-la na cancha de jogo. Neste aspecto, com todo refinanento sobrenatural que lhe foi peculiar . Em quaisquer situações, o ideal é saber traduzir as obras do Rei em genialidade, não apenas através do ato sublime dos gols decisivos, marcantes e até inigualáveis. Afinal, é também importante reconhecer que para se chegar ao ápice dessas obras marcadas pelos tantos gols, muitas vezes viu-se mais beleza na arte de saber fazê-los. Tudo decorrente da maestria e da elegância dos dribles desconcertantes, da incomparável explosão fisica e da magia na condução da bola e no ato do passe. Caracteres de um artista que se viu transfirmado no maior atleta do século.

Bem, quem viu...viu. Quem não pode desfrutar desses momentos, nem a memória fílmica pode ser capaz de traduzi-los por excelência. O marco dos seus feitos é tão forte e sigificante que, para comemorar em 2020 seus 80 anos, do alto da condição de súdito do Rei, proponho algo singular: o simbolismo de um marco cronológico convencionado. Que o futebol mundial adote desde já o aP e o dP como referências. Afinal, antes de Pelé (aP) ou depois dele (dP), a História do Futebol merece ser assim contada.

Eu, simples plebeu que se rendeu ao futebol por algumas imagens de sua genialidade antes de vê-lo em campo, confesso que um dos privilegios que tive por toda vida, já próximo ao degrau dos 60, foi conhecê-lo pessoalmente. E ainda tive essa satisfação de fazer parte de uma geração que o viu dentro de campo. Sou mais uma modesta testemunha a constatar o que ele foi capaz de fazer - com a bola nos pés e a genialidade na cabeça. É justamente nesse contexto, de fã incondicional, que ne atrevo na extensão dessas homenagens.

Parabéns Pelé!

E para os súditos que tentam segui-lo, digo: copiá-lo faz bem, mas um dos mistérios divinos é reconhecer que o Criador gera os gênios e muitas vezes perde o molde.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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