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Opinião
Editorial Retrocessos nunca mais

Publicado em: 14/11/2019 03:00 Atualizado em: 14/11/2019 10:01

Trinta anos após o fim do ciclo de regimes totalitários, a redemocratização da América Latina, com exceção de Cuba, não evitou as turbulências políticas. Nesse período, em 14 dos 20 países da região, presidentes caíram, empurrados pela insatisfação popular ante recessão econômica, políticas sociais ineficientes ou pela combinação de ambas. As crises foram superadas por meio de concertações políticas, sem interferência militar. Mas na Bolívia, no domingo último, o chefe das Forças Armadas, general Williams Kaliman, recomendou que o então presidente, Evo Morales, renunciasse ao cargo, ante os sangrentos conflitos entre apoiadores e opositores do governo.
 
Em 2016, a sociedade boliviana, por meio de referendo, avisou que “não” apoiava um quarto mandato para Morales. Ele ignorou a mensagem popular. Lançou-se candidato à reeleição e continuou no Palácio Quemado, na Praça Murillo, em La Paz. O adversário foi o jornalista e historiador Carlos Mesa, que comandou o país, por poucos dias, após a renúncia do então presidente Gonzaga Sánchez de Lozada, de quem fora vice-presidente.
 
A suspeita de que a vitória de Morales foi fraudulenta se confirmou por meio de auditoria realizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele anunciou que convocaria novas eleições. Mas não havia mais clima para sua permanência no cargo. Restou-lhe pedir asilo político ao México. De lá, ele denunciou o “golpe mais nefasto” da história.
 
No vácuo de poder, a senadora e segunda vice-presidente do Senador, Jeanine Áñez, se autoproclamou presidente da Bolívia, numa sessão esvaziada do Parlamento, mas com apoio do tribunal constitucional. Ela integra a aliança conservadora Unidade Democrática, adversária do Movimento ao Socialismo (MAS), legenda pela qual Morales se elegeu. O governo brasileiro, por meio do chanceler Ernesto Araújo, reconheceu Áñez como a nova presidente boliviana e negou que tenha ocorrido um golpe no país vizinho.
 
Áñez prometeu convocar eleições o mais rápido possível, para que em janeiro o país tenha novo presidente. Ela pretende ainda pacificar a sociedade, hoje dividida. Tais providências se impõem como urgentes, para que a Bolívia volte à normalidade democrática, uma dura conquista das nações sul-americanas. Em pleno século 21, não há espaços para retrocessos sociais, políticos e econômicos, que impliquem a supressão das liberdades políticas e individuais dos cidadãos. O obscurantismo dos regimes autoritários deve permanecer onde estão, no passado.

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