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Opinião
Editorial Campanha descabida

Publicado em: 20/11/2019 03:00 Atualizado em: 21/11/2019 08:11

Na semana em que o Ministério da Saúde inicia a segunda etapa da campanha de vacinação contra o sarampo, devido ao avanço da doença em várias regiões do país, a disseminação de fake news pelas redes sociais é a nota destoante dos esforços das autoridades para a contenção de enfermidades que podem ser combatidas através da aplicação de vacinas. Num ato de irresponsabilidade sem justificativa plausível, falsos profetas desacreditam o que foi uma das maiores conquistas da humanidade, a imunização em massa de populações mundo afora, o que proporcionou a erradicação ou controle de doenças que ceifaram milhões de vidas.

Preocupam os dados levantados por pesquisa feita pela organização não governamental Avaaz em todo o Brasil, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), para aferir a influência das fake news que desqualificam a vacinação. De acordo com o levantamento, 61% dos entrevistados — foram ouvidas 2002 pessoas — disseram ter recebido alguma mensagem negativa sobre vacinas nas redes sociais, sendo que 9% apontaram que elas chegam nas telas de seus aparelhos eletrônicos diariamente, numa difamatória campanha contra um dos maiores avanços da civilização na área de saúde pública.

A pesquisa mostra que 54% dos brasileiros acreditam ser as vacinas totalmente seguras e que 31% consideram que elas são parcialmente seguras. Por outro lado, para 8% dos entrevistados, elas são parcialmente seguras e 6% responderam que são totalmente inseguras, o que mostra o grau de desinformação dessas pessoas. O que preocupa os meios médicos é que a soma dos últimos três grupos demonstra que 45% dos brasileiros têm algum grau de desconfiança com a imunização.

A camada mais pobre da população, com renda de até um salário mínimo, é a que mais confia nas vacinas. Isso porque, de acordo com o presidente da SBIm, Juarez Cunha, essa faixa populacional recebe menos influência das fake news divulgadas pelas redes sociais. Esse corte populacional está mais ligado à mídia tradicional e utiliza mais os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele lembra que quando essas pessoas conseguem acessar o sistema de saúde, médicos e enfermeiros também se tornam fontes muito importantes de informação.

A mídia tradicional desempenha relevante papel como canal de informação sobre as vacinas, sendo citada por 68% dos entrevistados. As redes sociais ficaram em segundo lugar, com 48%, à frente do governo (42%) e profissionais da área (41%). Outro dado que chama a atenção é que os evangélicos dão menor credibilidade às campanhas de imunização do que os que se dizem católicos e os que professam outras religiões.

Os governos federal e estaduais devem fazer, o quanto antes, verdadeira cruzada contra os difamadores dos métodos de imunização. Especialistas insistem que as autoridades têm de estar disponíveis para esclarecer e mostrar à população a importância da vacinação, para o seu próprio bem. A descabida campanha contra a imunização não pode prosperar.

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