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Opinião
A sucessão na empresa familiar (parte II)

Cláudio Sá Leitão
Conselheiro pelo IBGC e CEO da Sá Leitão Auditores e Consultores

Publicado em: 06/11/2019 03:00 Atualizado em: 06/11/2019 08:50

Dando continuidade ao artigo publicado em 12.09.2019, neste jornal, a sucessão na empresa familiar não é tarefa fácil, sendo um grande desafio para o fundador, o qual precisa refletir sobre o futuro a longo prazo da empresa, ampliando a sua longevidade e encontrando nela o equilíbrio entre o bem-estar da família e a eficiência empresarial. Na equação da sucessão, os agregados da família ocupam um espaço incerto nos negócios, que pode ser resolvido com uma conversa amigável, onde o papel de cada um fique bem definido e claro. Como todos desejam que os negócios prosperem, faz-se necessário que a comunicação seja bem trabalhada. A fim de evitar a possibilidade de ocorrência de uma série de danos patrimoniais, emocionais e empresariais, é de vital importância a realização de um planejamento de sucessão patrimonial e profissional, com vista a minimizar a pulverização do patrimônio e a desunião da família. Os históricos das empresas e de seus fundadores têm revelado que, geralmente, suas vidas empresariais se sustentam em cinco pilares básicos: perseverança, credibilidade/compromisso/palavra, liderança/carisma, valorização da prata da casa e a cultura. E combinado com esses pilares, há ainda fatores que são apontados como cruciais para uma boa sucessão: a seleção e o treinamento do melhor candidato, a experiência profissional do sucessor na empresa, o envolvimento do fundador e o seu papel de mentor intelectual no planejamento sucessório. Algumas questões devem ser consideradas na sua elaboração, tais como: De quem será o voto majoritário? A presidência será rotativa? A diretoria será formada por membro familiar ou profissional de confiança? Se for membro familiar quais as competências e habilidades necessárias? Como funcionará a transição? A empresa poderá ser colocada à venda? A preparação do sucessor pelo sucedido dever ser um processo que garanta a plena administração da empresa. Para tanto, o sucessor, que assumirá a presidência, deve ter um amplo conhecimento da empresa, tendo passado por todos os departamentos e ter vivenciado as rotinas corporativas em profundidade. Enfim, como há muitas questões a serem incluídas e tratadas, todo planejamento deve ser efetuado em etapas. É natural que no processo sucessório, o fundador proceda com a delegação de suas funções, para que, eventualmente, venha a se tornar um conselheiro. Durante esse processo, as etapas são monitoradas em períodos de curto, médio e longo prazo e vão sendo ajustadas, conforme as mudanças dos cenários que o mercado vai se apresentando. Visando tornar a sucessão mais transparente e de modo a manter os herdeiros atualizados com as informações, também é necessária a implantação de um conselho de administração (CA), para que os familiares tomem ciência da condução dos negócios e definam as estratégias empresariais. Na eventualidade da família possuir muitos membros, impossibilitando a alocação dos herdeiros no CA, adota-se o procedimento de criar um conselho de família que reunirá os parentes para tratar de várias questões, entre elas àquelas relacionadas com a empresa. Portanto, um plano de sucessão familiar bem estruturado, além de ajudar a garantir a perpetuidade do patrimônio, passando o bastão da empresa para as futuras gerações, ainda minimiza a pulverização desse patrimônio e combate a desunião dos herdeiros, vindo a proporcionar relacionamentos saudáveis entre os membros das famílias.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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