Diario de Pernambuco
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Opinião
A importância da doação de órgãos

Janguiê Diniz
Mestre e Doutor em Direito %u2013 Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Publicado em: 01/11/2019 03:00 Atualizado em: 01/11/2019 08:34

Enquanto você vive sua vida normalmente, realiza suas tarefas diárias sem dificuldades, tem a liberdade de ir e vir, outras pessoas estão à espera de vida. Vida que vem na forma de algum órgão que, doado, pode dar novo destino a alguém. Segundo o Ministério da Saúde, o número de doações de órgãos no Brasil aumentou em 2018 – últimos dados disponíveis –, mas ainda pode ser muito maior. A doação é, acima de tudo, um ato de amor.

O número de doadores ainda é pequeno, se comparado ao de pacientes à espera de doação. Vários fatores incidem sobre esse problema. A falta de informação talvez seja o maior dele, pois gera medos e incertezas. O desconhecimento sobre os processos de doação e, por vezes, até crenças religiosas, são barreiras ao ato tão nobre. É sempre importante ressaltar, por exemplo, que o cadastro nacional de receptores segue uma ordem rígida, baseada na compatibilidade, não sofrendo influências externas – políticas ou econômicas.

Se você tem dúvidas se deve ou não tornar-se um doador, faça o exercício de se colocar no lugar daquele que está precisando de um órgão. O transplante é decisivo na vida daquela pessoa, não é algo opcional. Um único doador pode beneficiar até 25 pessoas com o transplante de seus órgãos e tecidos: imagine que você pode salvar 25 vidas. A doação não precisa ser feita necessariamente após a morte cerebral: alguns transplantes podem ser feitos ainda em vida, como os de rins, parte do fígado, pâncreas, pulmão ou medula óssea.

Com um processo regulamentado e que segue regras estritas, a doação de órgãos e tecidos é um processo simples, que começa com o cadastro do doador. A cédula de identidade, que todos possuem, é o principal meio de explicitar se você é doador. Inclua a informação na sua. Avise sua família. Não se omita. Espalhe a ideia. Quanto mais pessoas tiverem a consciência da magnitude do ato de doar, também mais pessoas terão novas chances na vida.

A ideia de que, após nossa morte, nossos órgãos serão “entregues” a outras pessoas pode parecer estranha, mas, mirando essa questão por outro prisma, é possível encarar essa situação como um tipo de prolongação da vida. É você que permanecerá ali, agora unido a outra vida. Afinal, dessa vida, não levamos nada – e o que vai para debaixo da terra é consumido pelo tempo. Por que não fazer-se perpetuar,  e ainda ajudar a quem precisa?

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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