Um merecido reconhecimento acadêmico

Anderson S. L. Gomes* e Alfredo Arnobio da Gama**
* Professor titular de Física na UFPE, membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Pernambucana de Ciências e membro do Conselho da SBPC e SBF.
(anderson@df.ufpe.br)
** Professor titular aposentado de Química Teórica na UFPE. (arnobio@ufpe.br)

Publicado em: 04/10/2019 03:00 Atualizado em: 04/10/2019 06:35

Nos dias atuais, reconhecer mérito, principalmente acadêmico-científico, é coisa rara. Muitas instituições até tentam, ou o fazem, mas poucas acertam. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) reconhece, através da outorga do título de Professor Emérito, a distinção à contribuição do Professor Mozart Neves Ramos durante seu período em atividade na UFPE. De acordo com as regras vigentes na UFPE, o título é destinado “a professores aposentados, que tenham se distinguido no ensino, na pesquisa, na extensão e na administração universitária”. Não poderia ser mais acertado! E são muitas as razões pelas quais o Conselho Universitário aprovou este elevado título honorífico. Mozart é engenheiro químico formado pela UFPE, com doutorado em Química pela UNICAMP e pós-doutorado em Química pela Politécnica de Milão – Itália. Foi professor da UFPE entre 1977-2013. Suas contribuições ao ensino e pesquisa científica são inúmeras, começando pelas excelentes aulas, desde o ensino básico até a pós-graduação, a formação de mestres e doutores e a publicação de artigos em periódicos especializados – muitos deles como único autor -  principalmente sobre espectroscopia vibracional, ligações de hidrogênio, moléculas no espaço interestelar e planejamento de moléculas com atividade medicinal. Ele foi um dos fundadores do Departamento de Química Fundamental da UFPE, onde atuou como coordenador da graduação, chefe de departamento e contribuiu para a criação do programa de pós-graduação em Química, que já começou nos níveis de mestrado e doutorado e alcançou conceito A em sua segunda avaliação, permanecendo entre os programas de excelência internacional, atualmente com conceito 6. Mozart teve uma carreira científica muito rápida e bem-sucedida. Nos primeiros 10 anos manteve uma média de 4 artigos anuais em periódicos indexados e logo alcançou o nível 1B de bolsa de produtividade no CNPq, continuando a publicar artigos até 2012, contabilizando 129 artigos com 919 citações, embora já ocupando cargos administrativos importantes. No âmbito da UF
PE, foi Pró-Reitor Acadêmico (1992-1995) e Reitor da Universidade Federal de Pernambuco (1996-1999 e 2000-2003). No âmbito estadual, foi Secretário de Educação (2003-2006), e no âmbito nacional ocupou – e ainda ocupa -  diversas posições de destaque. A notar, presidiu o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Graduação (1993) e posteriormente a ANDIFES (2002-2003), o CONSED (2006) e foi presidente executivo do Todos pela Educação (2007-2010). Mozart é autor de vários livros sobre educação, e foi agraciado nacional e internacionalmente pela sua atuação, incluindo países como a França, Inglaterra e Itália. Atualmente é Membro do Conselho Nacional de Educação e Diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna. Tivemos, os autores deste texto, a honra de trabalhar com Mozart. Em 1999, Anderson atuou em uma diretoria da PROACAD, e com total apoio de Mozart, então reitor, participou em profunda melhoria no curso de graduação em Odontologia, e a introdução da disciplina de Empreendedorismo (já naquela época) no campus da UFPE para diversos cursos. Talvez um dos momentos mais importantes para UFPE foi quando Mozart, com sua visão de futuro, promoveu avaliação internacional na UFPE, e posteriormente um pré-planejamento estratégico, ouvindo representantes da Sociedade. Anderson participou na elaboração deste último documento. Atualmente, fala-se em internacionalização, mas não se fala em planejamento adequado para ações das universidades, que estão sendo atacadas de várias formas.

Quando Mozart assumiu o cargo de reitor, nomeou Arnóbio para a Pró-Reitoria Acadêmica, mas após um ano este passou a atuar como assessor especial do reitor, quando recebeu a missão de criar na UFPE, em colaboração com a Universidade de Tecnologia de Compiegne – França, o primeiro curso de graduação em Engenharia Biomédica de uma universidade pública brasileira, hoje um curso bem-sucedido e dos mais procurados na UFPE. Um dos colegas do Instituto Educatores, organização que congrega os ex-secretários de Educação do Brasil, Wilson Risolia, mandou para Mozart a seguinte mensagem, que resume bem o título: Merecidíssimo reconhecimento!!!! Além de grande pessoa é um profissional como poucos. Um orgulho e referência para quem trabalha com educação no Brasil. Parabéns Mozart! Parabéns UFPE!

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