Somos mesmo as pregas de Odete

Ana Cristina Lima
Jornalista

Publicado em: 03/10/2019 03:00 Atualizado em: 03/10/2019 08:26

“Eu vi o mundo. E ele começava no Recife”. Esse é o nome de uma obra do escadense Cícero Dias, um dos maiores nomes do modernismo brasileiro. Não, não somos bairristas! Apenas reconhecemos a grandeza da Nova Roma de Bravos Guerreiros frente a outras nações da ONU. Pernambuco sempre esteve e sempre estará falando para o mundo. Ou vocês não lembram que foram nossos judeus locais que fundaram New York? Duvida? Vai lá na Sinagoga Kahal Zur - a primeira das Américas - e se informa.

Você pode pesquisar nos arquivos do Diario de Pernambuco, que é o jornal mais antigo em circulação na América Latina. Você também poderia confirmar nos arquivos da primeira emissora de rádio do país, a PRA-8 Rádio Clube, mas um dos maiores incêndios na história da radiofonia mundial destruiu tudo na década de 70.

Não sei se foi nossa colonização holandesa e as intervenções urbanísticas do conde Maurício de Nassau. Não sei se foi porque aqui criamos o exército brasileiro e o sentimento patriótico com a Batalha dos Guararapes. Não sei se foi a Confederação do Equador. Sei que somos insurrectos de nascença. Ou de herança. Vestimos a camisa, estendemos a bandeira e cantamos desde pequenos o hino de nosso estado. Pernambuco é mesmo imortal, imortal!

Talvez seja ousado dizer que os rios Beberibe e Capibaribe se juntam pra formar o Oceano Atlântico, mas tenho certeza de que o Atlântico estendeu seus braços para abraçar nossas belas pontes. Fui uma vez à Recife italiana para comprovar o que eu já imaginava: Veneza ainda precisa comer muito feijão para querer se comparar à terra dos altos coqueiros. Mas podem comparar à vontade, que nossa gente gosta de ser citada. Quando vou a Portugal, confirmo que o sotaque deles está cada vez mais se aproximando do modo como falamos. Reparem no som simples, não chiado, do t e do d: TIA, DIA. Não “tchia” e “djia”. Todas as outras regiões do Brasil têm sotaque, um desvio da fonética original, mas Pernambuco se mantém fiel às tradições.

Pernambuco é de Leão, só pode! Não temos apenas a mais reta avenida grande do Brasil. A Avenida Caxangá é um grande centro convergente de cultura e entretenimento, que leva a todos a oportunidade de conhecer a oficina do criador da Torre de Cristal, considerada o maior falo rijo e aprumado de toda a humanidade. São 32 longos metros de argila e do mais duro bronze. Isso dá mesmo vontade de tomar um uísque. Por falar nisso, sabia que a capital pernambucana é a maior consumidora per capita dessa bebida do mundo? Não sou eu que estou dizendo, pode procurar aí no Google. Isso é fruto de nossa influência britânica. It is pretty cute, espelicute.

Se estiver com fome, siga pela BR-232 e vá a Caruaru provar o maior cuscuz, a maior tapioca, o maior tudo do mundo todo, inclusive o maior e melhor São João. Isso não é mania de grandeza, é tão somente uma modesta demonstração da grandiosidade do povo. Fique pelo Agreste para conhecer a maior feira ao ar livre do mundo e leve para casa as obras do maior centro de artes figurativas da América Latina. Se estiver na época da Páscoa, não perca a encenação da Paixão de Cristo no maior teatro a céu aberto da Terra.

Ah, quando você cansar de tudo isso, refestele-se com os encantos da praia mais linda do mundo, a Baía do Sancho, em Noronha. Fica na Região Metropolitana do Recife. Quem sou eu para falar? Eu sou a mais pernambucana entre todos os cearenses do planeta inteiro. Das galáxias todas. Do universo todinho.

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