Diario de Pernambuco
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Opinião
Piratuba, nova fronteira turística

Ricardo Guerra
Jornalista

Publicado em: 22/10/2019 03:00 Atualizado em: 22/10/2019 09:30

Fica no oeste catarinense. No Brasil, constata-se que há um novo polo turístico dotado de excelente infraestrutura. Completo. Partindo das águas térmicas, foi fixado um novo limite turístico na Bela e Santa Catarina na região Sul do Brasil. As fronteiras turísticas do nosso país foram alargadas. Resultado prático: ganhamos todos. Sem prejuízo das opções das vias terrestres, a porta de entrada é o Aeroporto Municipal de Chapecó, distante 160 km, que é por onde a maioria dos brasileiros de outros rincões adentra o sul do país. Logo o turista se encanta com as maravilhas locais. A natureza é exuberante. Serras e montanhas. O relevo acidentado ajuda com as suas ondulações a manter os níveis das diversas colorações e tonalidades dos verdes. Matas, florestas, bosques, fazendas, cultivos e culturas. Próprias da localidade inclusive pelas plantações da maçã e da uva tão decantadas e próprias do clima catarinense.

Cultura, folclore, danças, gastronomia, história e vestimentas exibem as colonizações tão presentes dos alemães, austríacos, italianos e de outras nações europeias que podem ser apreciadas desde o sabor das cervejas artesanais às belezas das “Prendas, Princesas e Rainhas”.

No oeste catarinense foi criada a “Rota da Amizade” formada pelas cidades de Piratuba, Joaçaba, Treze Tílias, Videira, Fraiburgo, Tangará, dentre outras. Cada uma com seus encantos e peculiaridades.

Dentre estas muitas cidades, pode-se indicar Piratuba, cidade arrumada para receber por alguns dias, grupos, famílias ou casais por possuir vários meios de atrações. Além das hospedagens residenciais, Piratuba dispõe de quase três mil leitos embora tenha menos de cinco mil habitantes. Conta com um Centro de Convenções.

Piratuba é banhada pelo Rio do Peixe. A cidade tem uma estação férrea cujos trilhos margeiam o rio até a desembocadura com o Rio Uruguai. Numa autêntica Maria Fumaça, num percurso de 25 km, chega-se a Marcelino Ramos, outra estação termal, e aí pode-se atravessar a ponte de ferro construída entre 1910/1913 porque toda importada da Bélgica. E na imensidão deste Brasil, chega-se a um novo estado. O Rio Grande do Sul. Ampliam-se as opções turísticas. Inclusive de caráter religioso. Ali está o Santuário de Nossa Senhora da Salette.

Assim é o Brasil. Fonte inesgotável de conhecimento e saber. Inclusive e, sobretudo, turístico.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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