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Opinião
Paradigma Suécia...

Erik Limongi Sial
Cônsul honorário da Suécia em Pernambuco

Publicado em: 16/10/2019 03:00 Atualizado em: 16/10/2019 08:37

Não creio que exista um padrão de estrutura público-administrativa que sirva de molde para todos os demais, indistintamente. Afinal, cada povo tem sua realidade, baseado na sua própria história e contexto social. No entanto, alguns paradigmas irradiam suas luzes para além das respectivas fronteiras, como, no particular, a Suécia.

Se para a imensa maioria dos brasileiros o país traz à memória apenas um recanto gelado na Península Nórdica, no qual os dias ensolarados se mostram rarefeitos, a enxuta moldura do aparato administrativo sueco perpassou suas fronteiras geográficas de há muito.

Baseados nos pressupostos da transparência (é detentora da mais antiga legislação positivada acerca da publicidade dos atos administrativos, onde a segregação dos mesmos ao escrutínio dos seus concidadãos é absoluta exceção), igualdade (a sua sociedade é uma das mais horizontalizadas do mundo) e educação (o seu sistema educacional é gratuito e universalizado para qualquer cidadão em idade escolar, do ensino infantil ao médio, da  graduação à pós- graduação universitárias), a Suécia conformou seu arcabouço público-administrativo a uma realidade que reflete o espírito de seu povo, segundo o qual agentes políticos e serventuários públicos, de quaisquer alçadas, têm à disposição uma estrutura bastante enxuta.

À guisa de exemplo, os seus parlamentares não têm secretárias ou assessores privativos vinculados aos seus gabinetes, sendo certo que compete às agremiações partidárias disponibilizar essa estrutura de suporte de forma coletiva, para as respectivas bancadas, custeando-a com o restrito fundo que lhes é franqueado. Na prática, cada um dos 349 parlamentares nacionais cuida de sua agenda de trabalho, reserva seu ticket de trem ou compra a própria passagem aérea.

Com exceção do primeiro ministro, nenhum agente político Sueco tem direito a uma residência oficial. Nem o presidente do parlamento (Speaker), nem ministros e menos ainda os governadores. Apenas aqueles cuja base eleitoral esteja situada fora da capital – Stockholm - têm direito a uma restrita verba para alugar acomodações nessa última, ou a ocupar um apartamento ou “kitchenette” funcionais, que podem ser tão diminutos quanto 18m².

A lição que se extrai da experiência nórdica é a de que, com uma das mais altas cargas tributárias do mundo, seu povo, num perfeito juízo de equidade, prefere se mostrar coerente à própria biografia, por força da qual persegue a igualdade dentre seus concidadãos como valor fundamental da sua sociedade! Sem excelências ou mordomias...

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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