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Opinião
Editorial Mais agilidade nas reformas

Publicado em: 19/10/2019 03:00 Atualizado em: 19/10/2019 16:29

O embate entre bolsonaristas e bivaristas dentro do PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, não pode contaminar o funcionamento do Congresso Nacional. Votações importantes estão inconclusas, como as reformas previdenciária, parada no Senado Federal, tributária e administrativa. As mudanças são essenciais para o equilíbrio das contas públicas e o aumento da capacidade de o Estado estimular a economia. O país ainda não conseguiu se livrar das sequelas provocadas pela crise de 2014, que deixou mais de 13 milhões de desempregados e a retração dos investimentos.

A fissura na base de apoio ao Palácio do Planalto chega em péssimo momento. A menos de três meses do fim do ano, quando os parlamentares entram em recesso, corre-se o risco de os projetos de interesse do país serem deixados para 2020. Embora o Senado garanta a conclusão da reforma da Previdência nos próximos dias, há necessidade de avançar. A alteração das regras da aposentadoria, por si só, é insuficiente para a saúde fiscal do Estado, a recuperação da confiança dos investidores e a melhora do ambiente de negócios.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o Congresso tem a chave do futuro do Brasil nas mãos. Ou seja, não há como retirar o país do fosso para o qual foi empurrado pelas sucessivas crises nos últimos cinco anos sem ações articuladas com o parlamento, que, frise-se, tem correspondido às expectativas do país. Trata-se de divisão de tarefa própria do regime democrático.

Em 2020, haverá eleições municipais. A partir do segundo semestre, a atenção de deputados e senadores estará voltada para as bases eleitorais. Por tradição, o funcionamento do Congresso Nacional é fortemente afetado durante a disputa pelas prefeituras e cadeiras das câmaras de municipais. Deixar os temas importantes em tramitação no Legislativo para 2020 implica retardar decisões e providências que deveriam ter sido adotadas ontem.

A convergência de objetivos entre grande parte dos congressistas e a equipe econômica é necessária, mas não suficiente para destravar as votações. Articulações se impõem. O PSL é a segunda maior bancada da Câmara. O racha no partido deve ser resolvido nas entranhas da agremiação, sem ameaçar os interesses nacionais. Os números divulgados pelo IBGE esta semana mostram a urgência da retomada do crescimento. A crise prolongada, aliada à multidão de desempregados e subaproveitados, acelera a desigualdade e joga milhares de pessoas na extrema pobreza.

Do lado de fora do Congresso, as atividades econômicas caminham com lentidão. O aumento da oferta de vagas no mercado de trabalho se dá muito mais pela proximidade do período natalino do que por investimentos relevantes do setor produtivo. Portanto, cumpre ao Legislativo e ao Executivo a busca de entendimento para que se coloquem os interesses da sociedade acima das picuinhas de indivíduos ou de grupos. Ambições pessoais ou corporativas não podem se sobrepor às urgências nacionais.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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