Diario de Pernambuco
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Opinião
Independentistas catalães insolidários

Victor Ventin
Ex-presidente da Federação de Indústrias da Bahia

Publicado em: 16/10/2019 03:00 Atualizado em: 16/10/2019 08:37

O Tribunal Supremo da Espanha acaba de demonstrar a firmeza do seu Estado de Direito. A sentença que condena a políticos independentistas catalães é histórica, na Espanha e na União Europeia. Ninguém está acima da Constituição e das Leis. A União Europeia não pode permitir que se repitam episódios como os da antiga Iugoslávia: por esse motivo apoia unanimemente a Espanha.

Incrivelmente, o atual presidente do governo da Catalunha, Quim Torra, afirma que a Catalunha deve seguir a “via eslovena”. Eslovênia que se proclamou independente da Iugoslávia após uma guerra com mortos...

O governo da Catalunha celebrou um referendum inconstitucional ilegal, sem nenhum controle eleitoral, em 1º de outubro de 2017. Alterou gravemente a ordem pública e lançou ataques contra a imagem da Espanha através de “fake news”. O senador Angus S. King, dos Estados Unidos, chegou a afirmar: “Sabemos que os russos estavam involucrados nas eleições francesas e alemãs, e agora estamos descobrindo que também na separação de Espanha”.

Uma dessas “fake news” é que os independentistas são maioria. O barômetro trimestral do próprio governo da Catalunha nunca registrou que o independentismo representava uma maioria. Em julho de 2019, os partidários desta opção beiravam os 44% e em viés de baixa, enquanto mais de 48% dos catalães consultados se mostravam contrários a uma ruptura com a Espanha. No Brasil e na Espanha com apenas 44% não se altera nem convenção de condomínio.

As atuações do governo da Espanha (antes  os conservadores e agora os socialistas) e do Tribunal Supremo na defesa da Constituição e da unidade da Nação estão referendadas pela História, como no Brasil.

Um dos grandes logros do Brasil foi ter mantido nossa unidade, apesar de que alguns paulistas, também insolidários, tentaram em 1932 a sua separação do Nordeste. O pai da Constituição brasileira, Ulysses Guimarães, explicava: “A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia.”.

A Catalunha tem o maior PIB da Espanha. Assim como o País Basco, Madrid e Baleares, ela tem PIB per capita de 120% acima da média europeia, e se a falta de solidariedade dos independentistas catalães com as regiões pobres da Espanha triunfar, o efeito dominó poderá tornar independente também os outros 3.  A solidariedade interregional é um  dos princípios mais fortes de uma democracia moderna e justa.

A Catalunha tem o melhor IDH, e tem mais autonomia até que a Bahia, pois gerencia sua própria polícia, os Mossos de Esquadra, e completamente seus portos, aeroportos, vias férreas, autoestradas, recursos hídricos, educação fundamental, universidades, saúde, língua própria, e tem até embaixadas no exterior. Não lhe falta autogoverno.

Quarenta anos depois da aprovação de sua Constituição,  a Espanha acaba de reafirmar a plenitude de seu Estado de Direito.  E é uma das democracias mais avançadas do mundo. A Freedom House, por exemplo, outorga a Espanha um 9.4 sobre 10, com melhor pontuação que França, Itália e Reino Unido.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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