Diario de Pernambuco
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Opinião
Hermilo e Osman - o lugar dos maiores

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 07/10/2019 03:00 Atualizado em: 07/10/2019 10:08

A Companhia Editora de Pernambuco – Cepe –, que já revoluciona o mercado editorial brasileiro confirma sua imensa qualidade com a indicação de cinco categorias na qualidade de finalista do magnífico prêmio Jabuti, já tão familiar do leitor pernambucano. Consolida-se uma linha editorial de que todos precisamos.

Numa comemoração coincidente, a editora lança obra marcante: A Correspondência entre Osman Lins e Hermilo Borba Filho com introdução do professor Anco Márcio Tenório Vieira. Analítica e informativa é, na verdade, um denso documento da vida intelectual pernambucana, com reflexões valiosas, reveladoras e antecipadoras, à sua maneira, do pensamento no Estado.

Destaco as informações sobre a criação do Dec – departamento de extensão cultural – da Universidade Federal de Pernambuco, dirigido em princípio por Paulo Freire e,mais tarde, por Hermilo Borba Filho, seguindo-se Ariano Suassuna, que criou ali o Movimento Armorial. Acrescenta ainda a história do reitor João Alfredo, cassado pelo AI-5, em 1968.

Miguel Arraes de Alencar é figura de destaque nas reflexões de Anco, que se detém na deposição do líder político e no chamado IPM da Feijoada, criado para investigar a vida do editor Ênio Silveira, da editora Civilização Brasileira. A nota faz justiça ao grande político do país.

Como se percebe, trabalho de mestre, acrescentando aí o jornalismo porque os notáveis Hermilo e Osman fazem alusões constantes a colunas sobre teatro, sobretudo à coluna da W. ou V., do escritor Waldemar de Oliveira, criador do Teatro de Amadores de Pernambuco. Há ainda informações sobre matérias, reportagens e notas publicadas nos jornais.

É preciso destacar que Anco alia-se aos dois escritores para enriquecer muito os livros, embora as cartas sejam, sem dúvida, um grande momento da literatura brasileira.

Hermilo e Osman criticam duramente a ditadura, os rumos políticos do país e a relação difícil entre os escritores e os editores, questionando sempre os direitos autorais. Tema que ainda hoje é complexo.

Recomendo, ainda, que, mais do que lidas, as cartas podem ser ouvidas no extraordinário espetáculo que está sendo encenado no Luni Espaço Cultural, em Casa Amarela, com direção segura e apresentação magnífica de um belo elenco, pontuado por Fabiana Pirro e Cláudio Lira.

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