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Opinião
Hepatologista Cláudio Lacerda recebe justa homenagem

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicado em: 30/10/2019 03:00 Atualizado em: 30/10/2019 09:42

Justa homenagem será tributada, neste 30 de outubro, na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco – ALEPE – ao hepatologista Cláudio Moura Lacerda de Melo, pelos relevantes serviços que vem prestando à medicina, destacadamente na especialidade de transplantes de fígado.  Coube ao parlamentar Alberto Feitosa a autoria da indicação de entrega da Medalha Joaquim Nabuco 2019 – Classe Ouro – ao famoso cirurgião que, com sua equipe médica, já realizou mais de 1.400 transplantes hepáticos em Pernambuco e em estados circunvizinhos, prioritariamente no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, na Organização Hospitalar de Pernambuco - Hospital Jayme da Fonte - no Instituto de Medicina Integral Dr. Fernando Figueira – IMIP – e em nosocômios de João Pessoa, a maioria sob os auspícios  do Sistema único de Saúde – SUS.

Dr. Cláudio Lacerda, em certa oportunidade, fez o lançamento, nos salões da Arcádia Boa Viagem, de seu livro Acorde o Governador, obra literária que revela uma série de transplantes realizados e as principais dificuldades encontradas, sempre que surgia uma ocasião para mais uma transferência de órgão tão importante, como o do fígado, de um vivente para outro ser humano.

Um dos casos mais curiosos e que serviu de título para seu livro Acorde o Governador foi o de uma menina de apenas 4 anos, paciente do SUS, que se encontrava internada em um hospital de Maceió e necessitava ser submetida, o mais breve possível, a um transplante de fígado. Em Recife, uma criancinha, vítima de bala perdida, teve morte encefálica e a família decidiu doar seus órgãos. A transferência urgente da garotinha tornava-se indispensável para o êxito da cirurgia e só mesmo a vinda, através de um helicóptero, poderia preservar sua vida. Todavia, o responsável pela aeronave não o credenciava autorizar a liberação do único transporte capaz de ainda salvar a paciente. Era madrugada, mas graças ao apelo do cirurgião e a intervenção da pediatra da menor, acordando o governador para disponibilizar a liberação do transporte aéreo, foi possível salvar a. vida de um ser.

Agora, o cirurgião Cláudio Lacerda, que é diretor do curso médico da Uninassau, professor titular da Universidade de Pernambuco – UPE - e Diretor-Presidente da Associação Pernambucana de Apoio aos Doentes de Fígado – APAF - lançará, por ocasião das homenagens que lhe serão tributadas pela ALEPE, também como parte das comemorações de vigésimo aniversário do primeiro transplante de fígado realizado no Recife,  o livro Perdão Joana – Crônicas pela lente de um cirurgião.

A credibilidade que o polo médico de Pernambuco vem obtendo, em âmbito nacional, tem sido de tão grande significado que, nos últimos tempos, pacientes de alta complexidade que necessitam de transplante de fígado têm, surpreendentemente, atingido o caminho inverso: de São Paulo para Recife, como registram os hospitais Jayme da Fonte e Oswaldo Cruz, pois, recentemente, após o êxito das cirurgias, os pacientes retornaram recuperados ao Sul do país.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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