Diario de Pernambuco
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Opinião
Gestão de resíduos na Região Metropolitana do Recife

Marcelo Bruto
Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco

Publicado em: 17/10/2019 03:00 Atualizado em: 17/10/2019 08:47

O governo de Pernambuco participa amanhã em São Paulo do evento final do prêmio Excelência em Competitividade – Destaque Boas Práticas, promovido pelo Centro de Liderança Pública – CLP, uma organização sem fins lucrativos que estimula e premia iniciativas que resultem na melhoria da gestão e dos serviços públicos.

O que levou, novamente, Pernambuco ao evento foi o Plano de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana do Recife, que disputará a premiação com outras práticas após ser selecionado como finalista entre mais de 120 candidaturas. Embora nosso estado já seja bicampeão, pois foi vencedor em 2018 e 2017 com políticas educacionais, área em que Pernambuco tem sido destaque nacional nos últimos anos, o fato de estarmos mais uma vez entre os finalistas é recheado de símbolos.  

Primeiro, pelo tema. Resíduos sólidos é um assunto inevitável, mas nem sempre ocupa o espaço público e a atenção que merece. Diariamente, cada pessoa produz, em média, entre 740 e 900 gramas de lixo, de acordo com o Banco Mundial. O lixo é, portanto, um desafio enorme, com impactos nas finanças públicas e consequências graves para o meio-ambiente, saúde e qualidade de vida, caso não se tenha uma gestão adequada. Ver um assunto como esse finalista, entre tantos eixos temáticos mais visíveis, é motivo de celebração e destaca a inserção de Pernambuco no tema da sustentabilidade, tão presente neste ano de 2019.

A segunda razão é que o Plano é fruto de um trabalho que tem atravessado os anos. Começou a ser elaborado em 2007 e teve sua primeira versão publicada em 2009, antes mesmo da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que é de 2010. Instrumento aglutinador de diretrizes e esforços para melhorar a gestão dos resíduos sólidos na RMR, tem sido uma alavanca para ações estruturadas por parte do Governo do Estado e dos municípios, tanto para captação de recursos quanto para cumprimento dos requisitos exigidos pelas políticas nacional e estadual. Além disso, orientou investimentos do setor privado ao definir as perspectivas da Região Metropolitana e assim continua fazendo - de que é exemplo o recente chamamento público para novas parcerias com o setor privado no setor, lançado pelas Secretarias de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e Sustentabilidade.

O processo de atualização, concluído no final de 2018 e início deste ano, contou com a participação de mais de 180 pessoas, entre representantes das cooperativas de catadores, grandes geradores de resíduos, agentes privados, técnicos e gestores públicos. Culminou ainda com a entrega de projetos executivos para construção de centrais de triagem, estações de transbordo e remediação de lixões, demonstração de seu compromisso com resultados.

Ao longo dos últimos anos, a RMR avançou muito na disposição final adequada dos seus resíduos sólidos, com um esforço diário dos municípios e uma atuação firme dos órgãos de fiscalização e controle. Ainda há desafios enormes pela frente - por exemplo, avançar na coleta seletiva e na incorporação pela sociedade e pelo setor produtivo da necessidade de reduzir a geração - mas esse reconhecimento em nível nacional aponta para um caminho irreversível de que unir esforços e atuar de forma metropolitana é o melhor caminho para assegurar um futuro mais sustentável aos cidadãos.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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