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Opinião
Editorial Economia ainda patina

Publicado em: 22/10/2019 03:00 Atualizado em: 22/10/2019 09:28

As perspectivas para o crescimento econômico global não são nada boas, e o Brasil, apesar de apresentar pequena melhora este ano, continua atrás de outros países emergentes, inclusive da América do Sul (Chile, Colômbia, Paraguai e Peru). A economia brasileira continua patinando e se não forem agilizadas as reformas necessárias à retomada da expansão, como a tributária e a administrativa, entre outras, o país não conseguirá sair da inércia em que se encontra. A reforma previdenciária continua no Senado para ser votada em segundo turno. E a tributária, que resumiu-se, até agora, à descartada reedição da questionável CPMF e a fusões de impostos, prossegue em maturação na equipe econômica.

A situação se complica quando a previsão é de que a economia mundial terá o pior crescimento desde a crise financeira de 2008, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo tenha uma expansão de 3% em 2019, quando a projeção era de 3,3% em abril e 3,2% em julho, e 3,4% em 2020. A expectativa é de que o Brasil cresça 0,9% no mesmo período e 2% no próximo ano, taxas que apontam uma economia com pouco fôlego e insuficiente para tirar o país do marasmo em que se encontra.

São vários os motivos que explicam o baixo desempenho da economia global, como a imposição de barreiras comerciais que geram desconfiança nas empresas e investidores e interferem nas trocas entre as nações. O pior exemplo é a disputa entre Estados Unidos e China. As tensões geopolíticas também interferem no bom andamento do comércio mundial. Outro ponto destacado pelos técnicos do FMI é o fraco comportamento da indústria de transformação, o que causa queda dos investimentos, com reflexos na produção de bens de capital (máquinas e equipamentos). A economista-chefe do organismo internacional, Gita Gopuinath, cita, ainda, a retração da indústria automobilística, provocada, entre outros fatores, pelos novos padrões de emissão de gases poluentes na China e na União Europeia (UE).

Mesmo reconhecendo que houve avanços no Brasil, como o encaminhamento da reforma da Previdência, a economista do FMI avalia que permanecem as incertezas quanto à política econômica do governo. Relatórios do órgão citam como entraves ao crescimento nacional o engessamento das finanças, o sistema tributário ineficiente e ultrapassado, as deficiências da infraestrutura e a pouca integração global do país. E que outras fundamentais reformas têm de sair do papel o quanto antes. Diante desse cenário de incertezas na economia mundial, impõe-se a urgente aceleração das imprescindíveis mudanças no plano nacional.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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