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Opinião
Brasil: nas relações diplomáticas ser rêmora de tubarão não é a solução

Francisco de Queiroz B. Cavalcanti
Diretor da Faculdade de Direito da UFPE

Publicado em: 23/10/2019 03:00 Atualizado em:

“In a letter to OECD SecretaryGeneral Angel Gurria in late August, U.S. Secretary of State Mike Pompeo backed the bids by Argentina and Romania but made no mention of Brazil, despite Trump’s endorsement in March.” (https://www.reuters.com/). A notícia, divulgada amplamente, demonstra o equívoco, a primariedade da diplomacia brasileira, confundindo midiáticas aparições e declarações do governante estadunidense, com efetivos propósitos e firmeza de posicionamentos. Outras posturas do governo dos EUA deveriam alertar o governo brasileiro sobre os riscos de pretender ser “rêmora” (peixe que se desloca ao lado de tubarões na esperança de alimentar-se de migalhas) dos EUA. O recente episódio do abandono dos curdos à própria sorte, na Síria, deve servir de alerta. Para quem não se recorda, os curdos são hoje um grupo bastante sofrido, desnacionalizado, pressionado por Turquia, Síria, Iraque e Irã. O Curdistão representa um sonho de país combatido há muitos anos. Os EUA utilizaram esse grupo étnico como relevante instrumento para vencer o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS). Após o desmantelamento desse grupo belicoso e adequadamente qualificado como sectário e terrorista, nos últimos dias, o governo americano anunciou a retirada de seus soldados da área, e efetivamente cumpriu o prometido, surpreendendo a todos em um verdadeiro afago à Rússia, à Síria (“Trump’s decision will be a gift to Russian President Vladimir Putin and the regime of Syrian President Bashar al-Assad”) e sobretudo à Turquia que possivelmente “pré-avisada” iniciou operações militares contra os curdos, aliados abandonados dos EUA, no dia seguinte. Tudo isso deveria levar o governo brasileiro a uma reflexão sobre sua diplomacia e sobre a necessidade de uma postura de desatrelamento, não trocando concessões por promessas vagas. O Brasil, apesar das graves dificuldades econômicas apresenta-se em situação melhor que a Argentina (que recentemente decretou nova moratória) e a Romênia. Com a postura norte-americana ficará melancolicamente o Brasil a aguardar uma oportunidade futura e incerta para ingresso na OCDE (quando os EUA já se manifestaram contra a ampliação de membros). Tudo isso serve para demonstrar, inclusive, que proximidades pessoais, mesmo que verdadeiras, com o inconfiável Trump, jamais poderiam ser usadas como argumentos para nomeação de um embaixador. Dúvida não se pode ter que, caso haja graves problemas com os campos petrolíferos do Oriente Médio, os EUA, possivelmente, melhorarão suas relações diplomáticas e comerciais com a Venezuela...“We have no eternal allies, and we have no perpetual enemies. Our interests are eternal and perpetual, and those interests it is our duty to follow” - (trecho de discurso de Lord Palmerston, 1º ministro britânico na House of Commons, em 1º de março de 1848) - pensamento ainda atual, após mais de cento e cinquenta anos. 

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