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Opinião
Aos mestres

Janguiê Diniz
Mestre e doutor em Direito - fundador e presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Publicado em: 18/10/2019 03:00 Atualizado em: 18/10/2019 08:49

Noites em claro estudando, preparando aulas e provas. Dias de estresse, tendo que lidar com crianças, adolescentes e jovens nem sempre interessados. Uma vida de dedicação à formação do futuro. No dia 15 de outubro, comemoramos o Dia do Professor, a profissão responsável pelo sucesso de todas as outras profissões. É preciso, sempre, ressaltar e enaltecer a importância dessa figura na sociedade.

Também já fui professor. Ensinei Direito na Universidade Federal de Pernambuco e no Bureau Jurídico, meu primeiro empreendimento. Saber que você é responsável pelo futuro de alguém traz uma responsabilidade grande, mas, lá na frente, ver o sucesso daqueles que foram seus pupilos também é recompensador e dá orgulho. Entre as agruras da rotina de sala de aula, cruzar com ex-alunos e vê-los prosperar é a certeza do dever cumprido.

É certo que, no Brasil, o professor está longe de merecer o real valor devido. Principalmente nas instituições públicas, o ofício sofre diversos empecilhos, seja pelas condições precárias de trabalho, seja pelos diversos desrespeitos. Tudo isso se reflete na qualidade da educação, que está em níveis indignos da grandeza do Brasil. O pior é constatar a real falta de interesse dos governos de todas as esferas em agir em prol do desenvolvimento da educação, desde a básica até a superior. Sem um investimento comprometido, que não vise apenas a uma reeleição, demoraremos muito a alcançar níveis aceitáveis de educação. E essa deficiência acaba se tornando, no futuro, prejuízo para a economia: com uma educação falha, a formação profissional dos indivíduos é insípida, o que gera uma realidade de mercado de trabalho com trabalhadores incapazes.

O professor tem a responsabilidade de construir futuros, definir caminhos, desenvolver pessoas. Essa responsabilidade só aumenta. Isso porque o mundo está mudando e a maneira como as coisas acontecem e evoluem também muda. Tudo muito rápido. Dessa forma, o professor – assim como qualquer profissional – precisa estar preparado para se adequar a essas mudanças. Só assim é possível oferecer uma boa educação aos estudantes. Para isso, é preciso que o docente se capacite constantemente, mantendo-se um estudante. Nesta sociedade cada vez mais digital, quem não se atualiza constantemente acaba ficando para trás. Com o professor, não é diferente.

Educação não é algo de que possamos prescindir. O professor é peça fundamental nesse processo. Valorizá-lo é dever da sociedade e dos governantes, como figura que eleva o conhecimento. Ao mesmo tempo, ele próprio precisa buscar a renovação diária, o conhecimento atualizado e novas práticas didáticas, para que seu ofício esteja em linha com as necessidades da sociedade, que mudam constantemente.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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