Diario de Pernambuco
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Opinião
Acredito que agora vai...

Ary Avellar Diniz
Diretor presidente do Colégio CBV. Diretor presidente da Faculdade FPS

Publicado em: 19/10/2019 03:00 Atualizado em: 19/10/2019 16:29

Pediria ao prezado leitor poder tecer alguns comentários sobre uma hipotética situação de uma ocorrência, dando margens a interpretações entre uma realidade e o fantasioso.

Pitágoras, nome do protagonista do fato conjecturado que dirigia o seu automóvel, ano 2019, adquirido em janeiro próximo passado. Inopinadamente, em local de intenso trânsito, o motor deu pane, parou de funcionar; graças a Deus, isso aconteceu no local do acostamento, lado direito. Imediatamente apelou para o socorro, porém, ao procurar o número do telefone desejado, não o localizou facilmente, pois este se encontrava desarrumado entre outros vários documentos, tais como: carteira de saúde, identidade, motorista, sócio do Clube Náutico Capibaribe (campeão brasileiro), cópias dos protocolos dos seguros de vida e de morte, segredo do cofre. É bom frisar que, outrora, esses diversos dados se encontravam no celular da sua esposa, porém, recentemente, este aparelho foi furtado pelos flanelinhas intocáveis. Pitágoras não usa celular, prevendo melhoria na sua longevidade...

Após 47 minutos envolvido em situações estressantes, o resgate se apresentou, cujo apelido do motorista é “ligeirinho”. Diante de tantos traumas, disse em tom jocoso: “Acredito que agora vai...!” (Repetiu a frase duas vezes em voz alta e mais algumas pornografias).

Os mecânicos discutiam sobre as causas da pane no motor, quando o chefe da equipe, líder do grupo, aconselhou Pitágoras a se comunicar, após o enguiço, com os dirigentes. Logo depois, o carro voltou a funcionar, no espaço de várias tentativas que duraram mais de 50 minutos.

O presidente da empresa, ao ler a queixa de Pitágoras, levou-a à apreciação do “Conselho Administrativo”, principalmente por se tratar de um automóvel quase zero quilômetro.

Do acima exposto, pode-se comparar o fato ocorrido com o que se passa no Brasil: Pitágoras angustiado com o defeito apresentado pelo automóvel, o mesmo tem acontecido com o atual presidente da República, inconformado com a demora nas apurações pelo Congresso nas mudanças tão necessárias à volta do crescimento do país.

Pitágoras representa o povo brasileiro, otimista quanto à recuperação do motor. O povo brasileiro sempre esperançoso por dias melhores no Brasil. O carro adquirido na mesma época de posse no Congresso em 2019. Tudo aparentemente é novo e eficiente. Ledo engano!

Operários da fábrica discutindo, porém, aparentemente, faltando-lhes a devida qualificação profissional. Os políticos no Congresso, em maioria capacitados, mas visam apenas aos interesses pessoais.

A indústria citada necessita de recursos financeiros e novas tecnologias visando melhorar a produtividade. O mesmo tem acontecido no Brasil quanto à luta das autoridades governamentais à procura de parceiros, todas unidas em busca de melhoria do PIB nacional.

l Excesso de documentos na carteira de Pitágoras, atrapalhando-o. O mesmo tem acontecido com a burocracia nacional.

l Furto apontado no celular. Sem comentários com a corrupção no país.

Há possíveis outras interpretações, porém agora de comum acordo Pitágoras e o povo brasileiro. Prosseguindo viagem, a alegria é total, mesmo com as aprovações das mudanças desejadas no Brasil, ambos poderão bradar: “Acredito que agora vai...”

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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