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Opinião
Editorial Violência contra professores

Publicado em: 03/09/2019 03:00 Atualizado em: 03/09/2019 09:36

O entorno do Distrito Federal presenciou mais uma tragédia em instituição de ensino. Na sexta-feira, um estudante esfaqueou o professor. Seria a resposta por não ter sido incluído em uma competição. O mestre morreu. Manifestações tomaram as ruas de Águas Lindas para pedir mais segurança no interior e nos arredores dos colégios. Trata-se de ato cidadão de quem reivindica direito assegurado pela Carta Magna. Mas ignorado pelas autoridades.

A violência nas escolas não constitui novidade sobretudo nos grandes centros. Briga de alunos, enfrentamento de gangues rivais, apreensão de armas brancas e de fogo são constantes dentro ou fora das salas de aula. Sobram registros de crianças e adolescentes atacados, feridos, surpreendidos com facões e revólveres.

Segundo dados de pesquisa com mais de 100 mil professores sobre violência em escolas, o Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes. Os ataques variam. Vão de ofensas verbais, passam por discriminação, bullying, furtos e roubos, e chegam a golpes físicos que podem, além de ferir, matar. Exemplos ocorrem em diferentes unidades da Federação com crescente frequência. É preocupante.

As causas da agressividade são conhecidas. Dentre elas, sobressai a violência doméstica. O estudante transfere para as salas de aula os abusos presenciados ou experimentados em casa e nas vizinhanças. O álcool e a droga também exercem papel relevante. Sob o efeito de bebidas etílicas ou narcóticos, jovens perdem o controle e o senso de realidade. Sem condições de se dedicar a números e letras, dão vez a descontroles e barbáries. O ambiente hostil não respeita hierarquias.

Com maior ou menor intensidade, o medo impera. Professores, assustados, deixam de exercer a função na plenitude. Temem dar nota baixa, repreender o educando, punir mau comportamento. Em decorrência da insegurança, os profissionais da educação se licenciam ou mudam de profissão. Pode-se argumentar, com razão, que a escola não é uma ilha no mar de violência que domina a sociedade. É natural, pois, que a barbárie que se registra nas urbes chegue lá. É verdade. É verdade também que iniciativas repressivas e preventivas precisam ser tomadas com urgência. Entre elas, o aumento do contingente do batalhão escolar.

Medidas preventivas se impõem. Uma delas é o acompanhamento da família. Crianças e jovens não aprendem violência nas salas de aula. Levam-na de casa. Feito o diagnóstico do desvio de comportamento, psicólogos e assistentes sociais devem entrar em campo e atuar no meio em que vivem crianças e adolescentes. Sem isso, a escola deixará de exercer o papel pra a qual foi criada – instruir, educar e socializar. Em outras palavras: tornar a pessoa melhor para viver em sociedade.

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