Diario de Pernambuco
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Opinião
Sonho e realização

José Luiz Delgado
Professor de Direito da UFPE

Publicado em: 05/09/2019 03:00 Atualizado em: 05/09/2019 10:37

Ao sair da consagradora homenagem que a Assembleia Legislativa, por iniciativa e pela palavra do deputado Wanderson Florêncio, prestou ao Centro de Estudos de História Municipal, me vi imaginando como Luiz Delgado, lá do outro lado – se é que “desta vida memória se consente” – estará se deliciando com tudo isso. Deve estar admirado, talvez espantado, certamente muito feliz.

Como foi possível, a partir de sonho acalentado entre tantas dificuldades, uma pequena ideia solta, desenvolvida com insistência, mas muito pouco apoiada então, – como foi possível chegar à realização de agora, que a Assembleia soube exaltar? Já são 43 anos de existência desse micro organismo, que ele não conheceu e com que nem nos melhores devaneios sonhou, organismo absolutamente inédito nas administrações públicas brasileiras, nenhum outro Estado exibindo nada semelhante, conforme Yony Sampaio muito bem ressaltou, organismo que já publicou nada menos de 130 volumes, todos sobre a história, ou aspectos da história, dos municípios pernambucanos...

O que esse Centro de Estudos de História Municipal – há mais de uma década sob a coordenação animada e super-emocionada (viu-se agora), de Miguel Meira –  representa, o que vem significando e realizando, é alguma coisa impressionante. A começar pelo fato  de ser feito por abnegados, os chamados “associados” que se congregam espontaneamente, sem qualquer remuneração, curioso organismo público não integrado por funcionários... E pela pura reunião deles, o convívio, que possibilita troca de informações, complementação de pesquisas, animação recíproca. Quantos livros não vieram a ser redigidos só por causa da existência do CEHM, do estímulo que ele é, do apoio que ele dá, o elementar apoio de promover a publicação dos escritos?

A vasta obra que se pode contemplar agora começou por um quase nada. Um projeto humilde, de dedicado intelectual da capital, interessado, no entanto, na história de nossas localidades interioranas. Apresentou-a no Instituto Histórico de Olinda, tentando instituir uma “Associação Intermunicipal de História”; retomou-a no Conselho Estadual de Cultura, onde organizou uma Comissão de História Local, que publicou quatro “Cadernos”. Mas a morte o levou, e o sonho provavelmente também findaria, se não fosse a visão de admirável paranaense que se deixara seduzir pela luz e pelo calor do nosso Nordeste, Emilio Carrazai, o qual, informado daquelas iniciativas, entendeu que a FIAM –  a que então presidia, fundação dedicada aos municípios pernambucanos, – poderia retomar aquele esforço. Criou, dentro da FIAM, esse pequeno e estranho organismo, o CEHM, o qual, a partir de modesto projeto inicial (apenas reunir os pesquisadores municipais e editar uma revista), acabou se desdobrando nas magníficas realizações de agora.

Por que me meti a falar disso? Somente pelo gosto de lembrar meu pai e imaginá-lo deliciando-se com a dilatada e surpreendente realização de um sonho seu? Não é só por isso. É sobretudo para dizer que é isso o que acontece com o bem, o puro bem – com os projetos acalentados generosamente, sem nenhuma ambição, sem interesse, sem vaidade, sem o culto de si mesmo. Somente como serviço à cidade comum. E projetos que correspondam a uma verdadeira necessidade coletiva – não a um cálculo egoísta, a uma fantasia individual para a própria e efêmera glorificação. 

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