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Opinião
Sacolas plásticas, já se imaginou sem elas?

Samuel Salazar
Vereador do Recife

Publicado em: 07/09/2019 03:00 Atualizado em: 07/09/2019 06:15

Protocolei na Câmara Municipal do Recife projeto de lei para proibir a distribuição de sacolas plásticas no comércio da cidade, pois, tenho feito o exercício de observar o quanto usamos plásticos, em excesso, no nosso dia a dia. É uma invenção tão prática e confortável sair das compras com aquela sacolinha que nem imaginamos o alto custo ambiental que ela tem. Daí surge o questionamento: fazer uso da praticidade ou da conscientização?

A necessidade de repensar a utilização do plástico é urgente. Temos que refletir antes de aceitar uma sacolinha e fazer algumas perguntas básicas a nós mesmos. Tipo: Dá para colocar os produtos na mochila, na bolsa, reaproveitar sacola? Pra quê eu vou querer tantas sacolinhas plásticas afinal? Uma versão atual do tradicional 3 Rs do consumo consciente que é: recusar, reduzir e reutilizar.

É fundamental começar a recusar. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas em todo o mundo anualmente. No Brasil, cerca de 1,5 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora.

Os dados, convenhamos, são alarmantes. Como pode uma sacolinha se somar a tantas outras e impactar negativamente o ecossistema? De pouco em pouco, alcançamos o muito; desapontamos e comprometemos diariamente o nosso futuro e o das próximas gerações. Pensando assim, alguns até podem avaliar tal discurso como ultrapassado. Mas a retórica é bem diferente. É estarrecedor pensar que há anos já foi dado o sinal de alerta sobre o tema. Antes era tratado como uma questão meramente ecológica, mas, mais recentemente, tem sido fortalecido com o mote da sustentabilidade.

Uma discussão que, na verdade, não é mais exclusiva dos meios científicos e acadêmicos. Vai além. Tem sido inserida nas conversas do dia a dia. E você sabe o que é sustentabilidade ou só repete o que é dito? Ela é uma prática que busca conciliar desenvolvimento econômico à preservação e manutenção dos recursos naturais disponíveis, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Pois bem, algumas das nossas ações têm trazidos resultados drásticos para o planeta.

A Global Footprint Network, organização internacional pioneira que contabiliza o quanto de recurso natural é usado para as necessidades de um indivíduo ou população, divulgou em julho que o nosso planeta está sobrecarregado. A Terra atingiu esgotamento de recursos naturais mais cedo em toda a série histórica. Em 2019, a humanidade atingiu a data limite três dias antes que em 2018 – e mais cedo do que em toda a série histórica, medida desde 1970. E isso quer dizer que todos os recursos usados para a sobrevivência como água, mineração, extração de petróleo, consumo de animais, plantio de alimentos com esgotamento do solo, entre outros pontos; entrarão em uma espécie de “crédito negativo” para a humanidade. Os recursos naturais estão esgotados para este ano.

Isso clama a nós mudanças de paradigmas. A difusão das ideias de preservação tem que ser abraçada por todos. Elas não são só responsabilidade dos poderes políticos como Executivo, Legislativo e Judiciário. Os impactos, afinal, não serão seletivos. A natureza cobra e o resultado é fruto das ações antrópicas, que são realizadas pelo homem.

Que a conscientização do uso de sacolas plásticas seja abraçada como mudança de comportamento ambiental. Que seja aceita não por revolução social, mas por meio da evolução de ações e pensamentos. Que nós recifenses assumamos o compromisso voluntário da responsabilidade ambiental. Então, que tal a gente trabalhar e escolher juntos um direcionamento estratégico para uma sociedade mais sustentável? É fundamental que cada um faça sua parte, a começar por uma movimentação coletiva no sentido do consumo consciente.

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