Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
Pesquisa científica e desenvolvimento social

Ascendino Silva*, Anderson Gomes** e Fátima Santos***
* Professor Dep. Eng. Biomédica (aposentado) - UFPE
** Professor titular - Dep. Física - UFPE
*** Professora titular - Prog. Pós-Graduação Psicologia- UFPE

Publicado em: 05/09/2019 03:00 Atualizado em: 05/09/2019 10:36

Há 50 anos o homem pisou na Lua! Foi em 20/07/1969. Isto não é uma questão de crença, é um fato! O Presidente J.F. Kennedy (1960) colocou o desafio de que até o final daquela década os EUA pisariam na Lua. Isto mexeu com o orgulho americano de tal forma que todos os Governos que se seguiram ao de Kennedy não ousaram interromper, a despeito do alto custo envolvido e das pressões internas. O mundo vivia a Guerra Fria, a disputa pela hegemonia entre Estados Unidos e Rússia. Quando os russos colocaram o primeiro satélite em órbita (1957) acendeu a luz amarela; quando Gagarin deu uma volta em torno da Terra (1961), foi o estopim para a proposta de Kennedy. O Governo Americano investiu 240 bilhões de dólares e atingiu o objetivo em 1969. A NASA foi criada para comandar o projeto, as universidades contratadas para as pesquisas, as indústrias construíam os foguetes, a NASA os lançava. A medida que os resultados do “Projeto Lua” eram alcançados, pesquisas decorrentes geravam novas empresas. O retorno dos investimentos iam chegando com os “royalties”. As pesquisas realizadas para o “Projeto Lua” geraram empresas e empregos, mas o investimento foi do Governo Americano, o investimento foi público! Dois aspectos se destacam: 1-os Governos que se alternaram, desde o assassinato de Kennedy, não interromperam o projeto! 2-nunca houve dúvida sobre a aposta nas pesquisas nem nas instituições universitárias.

Nos países democráticos e civilizados, os políticos e a sociedade sabem que pesquisa se transforma em soberania. Mesmo aquelas que não revelam, de imediato, importância prática pode resultar em algo para uso humano mais adiante. O tomógrafo começou com pesquisa em Física sobre o comportamento do átomo. No Brasil os maiores resultados de pesquisas também saíram das Universidades Públicas, pagas pelo Governo Brasileiro. A Universidade de São Paulo, estatal, produziu resultados importantes para o Brasil. A descoberta do petróleo na camada do Pré-sal saiu da parceria entre Petrobras e a UFRJ (Universidade Pública); a soja da EMBRAPA foi resultado da parceria com Universidades Públicas. Os primeiros genéricos brasileiros contra a AIDS saíram do LAFEPE e UFPE. Nenhuma empresa gera pesquisa básica sem foco em produto, ela recorre à universidade!

A pesquisa não se restringe apenas às áreas técnicas. A Saúde, a Educação, as Ciências Sociais, as Artes fazem parte da harmonia de uma nação. Não se desenvolvem produtos para pessoas isoladas! A sociedade harmoniosa precisa de todos esses componentes para a satisfação coletiva. O desenvolvimento econômico precisa estar aliado ao desenvolvimento social. Um produto novo da indústria pode ser rapidamente absorvido pela sociedade em função dos seus gostos e necessidades: o celular é o melhor exemplo. Por outro lado, pesquisas nas áreas sociais, ou mesmo da saúde, enfrentam forte desafio: passar não apenas pela “necessidade”, mas vencer preconceitos, crenças, etc. São pesquisas nas áreas de humanas e sociais que permitem compreender, por exemplo, como certas práticas culturais, crenças e conhecimentos do senso comum possibilitam maior ou menor resistências ao uso de novas tecnologias, maior ou menor adesão a tratamentos médicos, as causas dos comportamentos de risco, a aceitação ou rejeição de normas de segurança no trabalho, a relação do ser humano com o meio ambiente. O conhecimento ali produzido possibilita intervenções mais adequadas e ajustadas ao desenvolvimento social.

A formação de profissionais, mestres e doutores é largamente promovida pelas Universidades Públicas, majoritariamente. Universidades privadas que fazem pesquisas no Brasil, como a PUC/RJ, a PUC/RS têm seus recursos de pesquisas provenientes de Agências Oficiais do Governo: CNPq, CAPES, FINEP e de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. Projetos de desenvolvimento de pesquisas em parceria com empresas inovadoras, formação de pós-graduados garantem continuidade e inovação. Este é o modelo universal, o Estado garante a soberania do país apostando na formação dos seus quadros com a competência relacionada à pesquisa e à inovação. É preciso compreender e defender esse patrimônio. A defasagem de investimento na pesquisa e na inovação compromete a soberania do país e o levará à dependência completa, a um simples fornecedor de matéria prima.

DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Resenha SuperEsportes: o quase do Sport, sub-20 do Santa e eleições no Náutico
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco