Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
O problema é o carro?

Marcos B. Andrade
Presidente da ARIES (Agência Recife para a Inovação e Estratégia)
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicado em: 16/09/2019 03:00 Atualizado em: 16/09/2019 09:15

“No futuro, as pessoas usarão aplicativos para comprar quilômetros, em vez de carros. Assim, elas poderão utilizar um veículo só quando preciso, gastando e repondo seu saldo de quilômetros conforme a necessidade”. A previsão é do presidente da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) na América Latina, Antonio Filosa. “O carro é o cigarro do futuro”, essa só poderia ter vindo do gênio publicitário Nizan Guanaes.

Inicio esse artigo com essas duas previsões para falar de uma polêmica que se estabeleceu nos últimos dias nas redes sociais e grupos de whatsapp: o fervor gerado pela notícia da construção de um colégio particular no bairro de Parnamirim, em uma das avenidas mais movimentadas da Zona Norte do Recife. Colégios são equipamentos geradores de impacto de vizinhança, especialmente no trânsito e, simplificando a análise, são dois os principais motivos: todos levam seus filhos de carro (inclusive eu) e boa parte dos motoristas não age de maneira educada para termos um trânsito civilizado. Sem educação cidadã e sem alternativas de qualidade ao carro como meio de locomoção não haverá nada o que fazer para melhorar o fluxo de nossas vias, especialmente próximas a estabelecimentos de ensino ou a outros equipamentos geradores de impacto de vizinhança.

A questão que se estabelece é: toda a polêmica parte de uma premissa equivocada onde o grande prejudicado são as pessoas que utilizam o transporte individual motorizado. Quer dizer então que o carro é o problema? Vamos restringir a implantação de equipamentos necessários ao desenvolvimento das atividades cotidianas para evitar que a gente fique preso em um congestionamento?

A demanda existe, esses estudantes vão estudar em algum lugar. Se não for nesse colégio será em outro na Rui Barbosa ou em qualquer outra via de trafego complicado na nossa cidade. Pois a maioria das nossas vias são assim.

Precisamos de alternativas ao carro. Precisamos poder levar as crianças de bicicleta, ou a pé, ou de ônibus, ou até continuar indo de carro. Mas precisamos de infraestrutura que nos dê oportunidade de escolha. E precisamos de educação, respeito e solidariedade entre as pessoas, pra entender que cada escolha de modal tem um porquê.

A tendência nas grandes cidades é que as pessoas cada vez mais evitem o deslocamento de carro. Uma das coisas que colaboram com isso é morar em locais que ofereçam vitalidade, onde haja oferta de serviços e equipamentos, infraestrutura que nos permita fazer as coisas a pé ou de bicicleta.

Vamos gastar nossa energia e lutar por mais faixas exclusivas para transporte coletivo, ciclovias e ciclofaixas, calçadas acessíveis e toda a infraestrutura necessária para destravar nossa cidade.

Pesquisas indicam que os jovens já não colocam ter um carro como um dos desejos prioritários. Minha fé num futuro melhor está neles. Precisamos estimular a mudança de paradigma e fazer a nossa parte para acelerar essa visão de futuro.

A importância de um atendimento farmacêutico correto
Primeira Pessoa com Padre Reginaldo Veloso
Sobre Vidas: Casinha - Associação dos Amigos da Vila do Papelão
Dp Auto no Jeep Experience
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco