Diario de Pernambuco
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Opinião
O amigo Gilberto

Roque de Brito Alves
Advogado

Publicado em: 27/09/2019 03:00 Atualizado em: 27/09/2019 09:42

1 – O amigo Gilberto Marques de Melo Lima, falecido na sexta-feira dia 20 de setembro, foi um grande advogado criminalista, porém especialmente uma grande figura humana.

2 – Como advogado criminalista, foi um exemplo vivo de suas características fundamentais como a ética, o saber, o zelo pela profissão, defensor intransigente dos direitos humanos e sempre independente dos poderosos do dia, honrando a sua profissão.

3 – Em verdade, em síntese, o advogado criminal defende a liberdade baseado na legalidade, o que historicamente tornou-o inimigo das tiranias, com o sacrifício inclusive de sua vida e atualmente objeto de críticas injustas da sociedade, dos meios de comunicação que não compreendendo a sua missão de exercer o sagrado direito de defesa venha confundi-lo com o acusado a quem defende, com a tese absurda de considerar indigno o seu patrocínio. Ao contrário, “não existe causa indigna de defesa” conforme ensinou Rui Barbosa e atualmente é texto do vigente Código de Ética de nossa profissão. Mais que uma profissão, o advogado exerce uma função social relevante e é indispensável à Justiça conforme a nossa vigente Constituição Federal.

4 – Durante décadas, fui amigo de Gilberto e no início de sua vida profissional modestamente ofereci o meu apoio para que atuasse no Tribunal do Júri, no Recife, quando teve uma atuação brilhante. Estivemos lado a lado como defensores no célebre Processo de Hemodiálise de Caruaru e outras vezes em campos opostos como na ação penal de grande repercussão do homicídio do Procurador da República Pedro Jorge, Gilberto como Assistente de Acusação enquanto defendemos um acusado de participação no crime.

5 – Muitas vezes, ao longo dos anos, recebi a sua visita para bate-papo em minha residência na Praça de Casa Forte e também fui visitá-lo no seu apartamento em Boa Viagem, encontro com música, pois tocava piano, cantava, sentindo, agora, saudade desses encontros.

6 – Amizade de tal natureza e duração é muito difícil atualmente pois no mundo virtual que predomina agora não há mais tempo para conversas, para encontros, não existe mais “calor humano” pois o tempo da vida é o tempo do celular, tudo está conectado porém sem relação humana, o aperto de mão ou abraço está restrito pelo bater na tecla de sofisticada aparelhagem eletrônica. A amizade somente vale se trouxer alguma vantagem financeira ou política pois o dinheiro é o deus supremo que escravisa a tudo e a todos, o ser humano é avaliado em termos de “ter” e não de “ser”.

7 – Shakespeare (O mestre maior das paixões humanas) escreveu que “quando alguém morre, a sua bondade é também enterrada com ele”, o que não ocorre com Gilberto pois a sua bondade permaneceu desde que muitas vezes defendeu o seu semelhante desinteressadamente, sem receber o vil metal, bondade através de sua humildade, sua capacidade de fazer amigos, sua coragem na profissão. A sua risada muito característica durante as conversas era um espelho de sua bondade, de sua ausência de maldade. A sua morte faz lembrar que quando morre um amigo, nós também morremos um pouco e como disse o poeta inglês: “a morte de alguém sempre me diminui pois faço parte da humanidade. Assim, não perguntes porque os sinos tocam pois ele também dobram por ti”.

8 – A Divina Misericórdia recebeu Gilberto de braços abertos no Paraíso, perdoando os seus pecados, pois todos nós somos pecadores, todos os dias o papa Francisco pede que rezem por ele pois é um pecador. Amigo Gilberto, muito obrigado por sua amizade e descanse em paz.

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