Diario de Pernambuco
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Opinião
Lugares de memória e lazer no Recife

Luzilá G. Ferreira
Doutora em Letras pela Universidade de Paris VII e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 10/09/2019 03:00 Atualizado em:

Semana passada falamos sobre museus, como lugares que guardam nossa memória recente ou mais antiga,  ao pesquisar, conservar, divulgar e abrir ao público, objetos, relíquias, documentos diversos restos ou testemunhas de que foi um dia. Busca recente indica a criação de nosso primeiro museu, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816 e em 1818  a instalação do Museu Real, que seria o embrião do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Vinte anos depois, estudiosos de nossa história fundaram, no Rio de Janeiro, o Museu do Instituto  Histórico e Geográfico Brasileiro, e em 1864, no Recife, foi criado o museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco. O Recife é rico em museus, e é frequente encontrar turistas, nos belíssimos museus com os quais  Ricardo e  Francisco Brennand, nos enchem os olhos, na Várzea. Pesquisadores, percorrendo as salas do Museu da cidade ou da Abolição, da Sinagoga Israelita, ou pais mostrando aos filhos as riquezas do Museu do Estado, do Cais do Sertão, do Paço do Frevo, e mais recentemente o Museu da Academia Pernambucana de Letras, relativo à vida acadêmica,mostra viva do que foi uma residência recifense no final do século 19. E que tem sido objeto de centenas de visitas de grupos de escolares, estudantes e curiosos do nosso passado (uma  nota, visitas podem ser agendadas no telefone 32682211). Visitar museus quando se chega a uma cidade é sempre um modo de se conhecer, por dentro, a vida e o que produziram seus moradores,  seus artistas, mesmo se às vezes trata-se apenas de residência humilde, como a casa de Cora Coralina em Goiás Velho, de Alphonsus de Guimaraens em Mariana, esta última descrita no poema A Visita, de Carlos Drummond de Andrade, sobre o encontro do poeta com Mário de Andrade. Às vezes o antigo morador deixou um bilhete para os futuros visitantes, como Gustave Moreau, em sua casa parisiense, cheia de seus quadros, e objetos familiares: “Que tristeza ter de deixar tudo isso”. Uma alegria passar um dia inteiro em Nohant, no centro da França, castelo onde a romancista George Sand recebia amigos e amados como Frédéric Chopin. Ou tomar um chá com bolinhos no jardim do pequeno museu da Vida Romântica em Paris. Visitar grandes ou pequenos museus é, sim, participar de algum modo, da vida cultural de uma cidade, de seu legado para o mundo. Lembro três maravilhosas experiências que os olhos guardam até hoje. Na Tate Gallery, em Londres, o quadro de Millais, a Ophélia de Shakespeare flutuando “como um grande lírio” no dizer de Rimbaud, cantando a canção do salgueiro. A série de belíssimos cusquenhos na cidade de Cusco. E uma extraordinária Joana D’Arc (esqueci o autor), quadro de uns cinco metros de diâmetro, um susto de beleza, no Museu de Nova York. E podem crer, tudo mais interessante que a visita a Disneylandia, objeto de gozação de nosso querido Ariano.

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