Lombroso e o crime

Kennedy Barreto
Professor de Direito Penal

Publicado em: 11/09/2019 03:00 Atualizado em: 11/09/2019 10:08

Cesare Lombroso, professor italiano de medicina legal, talvez uma das figuras mais comentadas nas bancas das faculdades de Direito, em seu primeiro livro L’uomo delinquente (1876) introduziu a teoria de que diferentes tipos de criminosos podiam ser destacados a partir de suas características físicas. As teorias engenhosas de Lombroso tiveram maior desenvolvimento a partir da antropometria, uma área da antropologia que surgiu logo após a publicação da Teoria das Espécies, de Charles Darwin (1859). Os entusiastas da antropometria passavam todo o tempo tomando medidas dos corpos de seres humanos, em especial os esqueletos, com a esperança de apoiar – ou refutar – as teorias de Darwin sobre a evolução da humanidade e que teve a incansável ajuda de Alphose Bertillion que em muito ajudou com suas técnicas, algumas utilizadas até hoje como, por exemplo o “parle” – o retrato falado.

A antropometria, de início, chamou logo a atenção de vários criminalistas mas logo caiu em desuso quando as impressões digitais foram internacionalmente aceitas como método eficaz para a identificação de criminosos. No entanto as análises datiloscópicas serviam apenas como meio de identificar uma pessoa já condenada ou para relacionar um suspeito com a cena do crime. Porém, no início do século 20 os criminologistas começaram a prestar atenção em outros assuntos que não fossem as características físicas do biotipo criminal e deram início aos estudos dos processos mentais, a psicologia, estudando o que levava as pessoas à criminalidade, analisando desde a ferramenta usada por um arrombador, a maneira de como o elemento consumou um assassinato e outras características e fatores que podem servir de valorosa indicação para levar a identificação do suspeito e submetê-lo ao rigor da Lei e isso é tão válido quanto a generalização dos biotipos de Lombroso e, obviamente que não é verdade, pois o conceito de alienação se tornou parte vital na avaliação psicológica da criminalidade.

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